Piracicaba registrou uma queda expressiva nos casos de dengue em 2026. Até o dia 14 de julho, o município contabilizou apenas 74 casos confirmados da doença, uma redução de cerca de 98% em comparação com o mesmo período de 2025, quando haviam sido registrados 5.724 casos. Na comparação com 2024, ano marcado por uma das maiores epidemias da história recente da cidade, quando foram contabilizados 28.123 casos até a mesma data, a redução chega a 99,7%.
Outro dado positivo é a ausência de mortes provocadas pela doença neste ano. Em 2024, Piracicaba registrou 16 óbitos por dengue e, em 2025, foram cinco. Em 2026, até o momento, nenhuma morte foi confirmada. Além da redução no número de casos, o município apresenta uma incidência de 21,9 casos por 100 mil habitantes, índice bem inferior ao registrado no Estado de São Paulo, que gira em torno de 114 casos por 100 mil habitantes.
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Prevenção segue essencial para manter os números baixos
Especialistas apontam que a queda é resultado da combinação entre ações permanentes de combate ao mosquito e condições climáticas mais favoráveis neste ano. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o trabalho de prevenção foi intensificado ainda no segundo semestre de 2025 e continuou ao longo de 2026.
Entre as medidas adotadas estão visitas casa a casa para orientação dos moradores e eliminação de criadouros, arrastões semanais para recolhimento de materiais que acumulam água, pulverização em pontos estratégicos, atendimento às solicitações registradas pelo serviço 156 e ampliação das ações educativas em escolas e empresas. O número de palestras de conscientização mais que dobrou, passando de sete em 2025 para 16 neste ano.
Outra iniciativa foi a parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e o Creci-SP para vistoriar imóveis fechados colocados à venda ou para locação. Corretores receberam treinamento para identificar possíveis criadouros do Aedes aegypti e adotar medidas preventivas durante as visitas aos imóveis. O município também distribuiu livros educativos para estudantes do 1º ao 5º ano da rede municipal e implantou um protocolo com orientações para escolas, empresas, condomínios e clubes que permanecem fechados durante o período de férias, reduzindo o risco de acúmulo de água parada.
De acordo com a coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses, Aline Marangoni, o trabalho integrado entre diferentes órgãos municipais fortaleceu as ações de orientação e prevenção contra doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Já o coordenador do Programa Municipal de Combate ao Aedes, Sebastião Campos, destaca que as temperaturas mais amenas registradas em 2026 também contribuíram para reduzir a reprodução do mosquito. Segundo o integrante do programa Natã Estevam, o clima mais frio desacelera o metabolismo do Aedes aegypti, diminuindo sua capacidade de reprodução.
Apesar dos resultados positivos, a recomendação é que a população mantenha os cuidados durante todo o ano. A orientação é reservar pelo menos dez minutos por semana para eliminar recipientes que possam acumular água, como vasos de plantas, pneus, garrafas, calhas e ralos. As equipes de saúde também reforçam a importância de receber os agentes comunitários durante as visitas domiciliares. O uso de repelente continua sendo recomendado, especialmente em ambientes fechados. Gestantes e pessoas diagnosticadas com dengue podem retirar o produto gratuitamente nas unidades de saúde.