O número de novos diagnósticos de câncer no mundo deve alcançar cerca de 35 milhões por ano até 2050, segundo projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS). O crescimento esperado reflete principalmente o envelhecimento da população e o aumento do número de habitantes no planeta, mas também está relacionado à permanência de fatores de risco que podem ser evitados.
Além de prever um avanço significativo da doença nas próximas décadas, o relatório destaca que aproximadamente uma em cada cinco pessoas desenvolverá algum tipo de câncer ao longo da vida. Diante desse cenário, a entidade reforça que investir em prevenção e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce serão medidas essenciais para reduzir os impactos da doença na saúde pública.
Apesar da perspectiva de aumento dos casos, a OMS ressalta que uma parcela expressiva dos diagnósticos poderia ser evitada por meio da adoção de hábitos saudáveis e de políticas voltadas à promoção da saúde.
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Mudanças no estilo de vida podem reduzir o risco
Entre os principais fatores associados ao crescimento da incidência de câncer estão o tabagismo, a alimentação inadequada, o sedentarismo e a exposição excessiva à radiação solar. Esses comportamentos continuam influenciando o surgimento de diferentes tipos da doença em todo o mundo.
O relatório estima que quase 40% dos casos poderiam ser prevenidos com mudanças no estilo de vida, campanhas de conscientização e ações voltadas à redução dos fatores de risco. A combinação dessas estratégias é considerada uma das formas mais eficazes de diminuir a incidência da doença nas próximas décadas.
Outro ponto destacado é a importância do diagnóstico precoce. A identificação do câncer nas fases iniciais amplia as possibilidades de tratamento, aumenta as chances de sucesso terapêutico e contribui para melhores índices de sobrevivência.
Acesso desigual ainda desafia os sistemas de saúde
Os avanços da medicina vêm melhorando os resultados do tratamento em diversos países. Em nações de alta renda, por exemplo, a taxa de sobrevida cinco anos após o diagnóstico de câncer de mama supera 85%, refletindo o acesso mais amplo a exames, tratamentos modernos e acompanhamento especializado.
Entretanto, essa realidade ainda está distante de grande parte da população mundial. Em países de baixa renda, a sobrevida para a mesma doença fica abaixo de 45% e, em algumas regiões, não chega a 30%, evidenciando as desigualdades no acesso aos serviços de saúde.
A OMS também chama atenção para a estrutura insuficiente de atendimento em diversos países. Apenas 28% das nações oferecem um pacote mínimo de tratamento oncológico na cobertura universal de saúde, enquanto quase metade da população mundial ainda enfrenta dificuldades para acessar serviços básicos de diagnóstico. Além disso, 23 países de baixa e média renda seguem sem unidades de radioterapia, um recurso considerado fundamental no tratamento de vários tipos de câncer.