O governo federal acompanha com expectativa a decisão dos Estados Unidos sobre a possível ampliação das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. A definição está prevista para esta quarta-feira (15), quando termina o prazo estabelecido pela Casa Branca para anunciar se as novas sobretaxas de 25% e 12,5% entrarão em vigor.
Nos bastidores, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a confirmação das tarifas é o cenário mais provável. Ainda assim, a expectativa é de que a decisão possa trazer uma ampliação da lista de produtos isentos, reduzindo parcialmente os impactos para as exportações brasileiras.
Governo espera decisão antes de reagir
A estratégia do Palácio do Planalto é aguardar o conteúdo completo da decisão norte-americana antes de definir quais medidas serão adotadas. A avaliação é que o alcance das tarifas será determinante para estabelecer a resposta diplomática e econômica.
A expectativa do governo brasileiro é participar de uma última reunião virtual com representantes do Departamento de Comércio dos Estados Unidos antes do anúncio oficial. O encontro poderá oferecer uma sinalização antecipada sobre o posicionamento de Washington.
Em reunião realizada no Palácio do Planalto na última semana, o presidente Lula discutiu o tema com integrantes da equipe econômica e da área diplomática. Segundo interlocutores, a orientação é manter as negociações até o último momento, reforçando o entendimento de que as novas tarifas não possuem justificativa técnica.
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Brasil prepara resposta oficial
Caso o tarifaço seja confirmado, a primeira reação do governo deverá ser uma manifestação pública de insatisfação com a decisão da Casa Branca.
A posição brasileira deve reforçar que a medida é considerada injustificada e incompatível com a atual relação comercial entre os dois países. O Itamaraty também deverá sustentar que a política tarifária brasileira já oferece condições favoráveis às exportações norte-americanas.
Após o anúncio, equipes técnicas analisarão detalhadamente a lista de produtos afetados para decidir os próximos passos, incluindo a possibilidade de continuidade das negociações ou eventual adoção de medidas previstas na Lei da Reciprocidade.
Lei pode permitir reação comercial
Entre as alternativas em estudo está a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, mecanismo aprovado pelo Congresso Nacional que autoriza o Brasil a responder a barreiras comerciais impostas por outros países.
A legislação permite a adoção de medidas de retaliação quando governos estrangeiros estabelecem restrições consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros.
Apesar dessa possibilidade, integrantes da diplomacia avaliam que não há previsão de uma negociação direta entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, neste momento.
Empresas dos EUA pressionam por exceções
Enquanto a decisão não é anunciada, empresas e entidades empresariais norte-americanas intensificaram a pressão sobre o governo dos Estados Unidos para retirar determinados produtos brasileiros da lista das novas tarifas.
Segundo levantamento do Ministério das Relações Exteriores, ao menos 43 empresas e associações comerciais defenderam que diversos itens continuem isentos, argumentando que não existem fornecedores equivalentes no mercado americano.
Esse movimento alimenta a expectativa de que Washington possa ampliar a relação de exceções, mesmo mantendo a cobrança das novas tarifas.
Adiamento ainda é visto como improvável
Embora o governo brasileiro considere remota a possibilidade de um novo adiamento, essa hipótese não foi completamente descartada.
Nas conversas entre representantes dos dois países, autoridades americanas indicaram que o cronograma estabelecido para 15 de julho deveria ser mantido. Ainda assim, caso haja mudança de posição, interlocutores avaliam que a decisão deverá ser acompanhada de uma justificativa oficial para evitar interpretações políticas.
O Brasil nunca solicitou formalmente a prorrogação do prazo, mas entende que um adiamento abriria espaço para a continuidade das negociações e poderia reduzir os impactos econômicos da medida.
Impasse comercial completa um ano
A atual disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos teve início há um ano, quando Donald Trump anunciou a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano.
Desde então, parte das medidas foi revista, outras permaneceram em vigor e novas tarifas passaram a ser discutidas, elevando a tensão nas relações comerciais entre os dois países.
Com a decisão prevista para esta quarta-feira, o governo brasileiro espera conhecer a extensão das medidas para definir sua estratégia diplomática e econômica nos próximos meses.