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Emagrecer nem sempre significa saúde; Especialista faz alerta

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
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A chegada dos medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade mudou a forma como milhões de pessoas enxergam o emagrecimento.
A chegada dos medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade mudou a forma como milhões de pessoas enxergam o emagrecimento.

A chegada dos medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade mudou a forma como milhões de pessoas enxergam o emagrecimento. Fármacos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro passaram a oferecer resultados expressivos na perda de peso, mas especialistas alertam que a redução dos números na balança não deve ser interpretada como sinônimo de saúde plena.

De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade, cerca de 68% dos brasileiros estão acima do peso, enquanto 31% vivem com obesidade. O cenário reforça a importância de tratamentos eficazes, mas também evidencia a necessidade de um acompanhamento que vá muito além do peso corporal.

Saúde vai além dos quilos perdidos

Segundo um médico especialista em fisiologia metabólica e hormonal, os novos medicamentos representam um dos maiores avanços já registrados no combate à obesidade. Ainda assim, ele ressalta que o verdadeiro objetivo do tratamento deve ser recuperar o funcionamento adequado do organismo.

"O emagrecimento é extremamente importante, mas não significa, por si só, que todos os problemas relacionados ao metabolismo foram resolvidos. Saúde envolve muito mais do que o peso mostrado pela balança", explica o especialista.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a obesidade em adultos mais que dobrou desde 1990, aumentando o risco para doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, gordura no fígado e alguns tipos de câncer.

Por isso, médicos defendem que a avaliação do paciente também considere fatores como exames laboratoriais, qualidade do sono, composição corporal, massa muscular, alimentação, histórico clínico e funcionamento hormonal.


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Nem todo emagrecimento indica recuperação metabólica

Estudos publicados no The New England Journal of Medicine demonstraram a eficácia de medicamentos como semaglutida e tirzepatida na redução do peso corporal. Apesar dos resultados expressivos, os pesquisadores reforçam que o sucesso do tratamento não pode ser medido apenas pela quantidade de quilos eliminados.

O especialista explica que duas pessoas com o mesmo peso podem apresentar condições completamente diferentes de saúde.

Enquanto uma pode manter boa massa muscular, equilíbrio hormonal e exames normais, outra pode continuar sofrendo com fadiga, alterações metabólicas, inflamação, baixa disposição e dificuldades para manter energia durante o dia.

Segundo ele, perder gordura corporal não significa necessariamente restaurar a capacidade do organismo de produzir energia, responder corretamente aos hormônios e manter o metabolismo funcionando de forma saudável.

Sintomas que podem indicar problemas

Especialistas alertam que uma perda rápida de peso sem acompanhamento médico pode trazer consequências importantes para a saúde.

Entre os principais sinais de atenção estão:

  • perda de massa muscular;
  • queda de força física;
  • fadiga constante;
  • dificuldade de concentração;
  • irritabilidade;
  • insônia;
  • compulsão alimentar;
  • redução da disposição ao longo do dia.

Esses sintomas podem indicar que o organismo ainda não recuperou seu equilíbrio metabólico, mesmo após o emagrecimento.

Tratamento exige acompanhamento contínuo

As diretrizes da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) classificam a obesidade como uma doença crônica, o que significa que o tratamento não termina quando a meta de peso é alcançada.

Para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso, o acompanhamento deve ser individualizado e avaliar diversos indicadores de saúde, entre eles:

  • qualidade do sono;
  • preservação da massa muscular;
  • percentual de gordura corporal;
  • exames laboratoriais;
  • presença de doenças associadas;
  • prática regular de atividade física;
  • hábitos alimentares.

Segundo o especialista, o metabolismo depende de uma combinação complexa de fatores, envolvendo hormônios, alimentação, sono, inflamação e capacidade de adaptação do organismo.

Novo olhar sobre os medicamentos para obesidade

Na avaliação do especialista, os medicamentos inauguraram uma nova etapa no tratamento da obesidade, mas também mudaram a forma como os resultados devem ser avaliados.

Em vez de analisar apenas quantos quilos foram eliminados, médicos defendem que a principal pergunta passe a ser como está a saúde do paciente após o emagrecimento.

Para o especialista, perder peso representa apenas o início da jornada. O verdadeiro sucesso do tratamento está na recuperação duradoura da saúde metabólica, garantindo mais energia, qualidade de vida e prevenção de novas doenças.

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