CASO MARIA EDUARDA

Após morte em rope jump, participante relata falhas na operação

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Investigação aponta que Maria Eduarda foi lançada de uma altura de cerca de 30 metros sem a corda de segurança conectada.
Investigação aponta que Maria Eduarda foi lançada de uma altura de cerca de 30 metros sem a corda de segurança conectada.

A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump em Limeira, na região de Piracicaba, trouxe à tona questionamentos sobre os protocolos de segurança adotados pelo grupo responsável pelos saltos. À BBC News Brasil, um participante que realizou o mesmo salto pouco antes da tragédia descreveu falhas que chamaram sua atenção.

O farmacêutico Rodrigo Ratochinski, de 28 anos, participou da atividade cerca de um mês antes do acidente e afirmou que, embora a estrutura transmitisse uma sensação de profissionalismo, não percebeu procedimentos rigorosos de conferência dos equipamentos. Ao saber da morte da jovem, avaliou que poderia ter sido uma das vítimas da atividade.

VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Movimento intenso e ausência de dupla checagem

Segundo o relato, o agendamento do salto foi feito por meio de aplicativo de mensagens, enquanto o pagamento ocorreu via Pix para uma pessoa física. No local, os participantes recebiam os equipamentos e aguardavam a vez de saltar, sem a formalização de documentos ou orientações detalhadas sobre os riscos da prática.

Ratochinski também relatou ter observado um fluxo intenso de pessoas realizando a atividade. Os intervalos entre os saltos eram curtos e, de acordo com ele, a principal conferência realizada pela equipe consistia apenas na verificação do agendamento dos participantes. Por insegurança, decidiu conferir pessoalmente se o cinturão e as cordas estavam corretamente fixados, mas não se recorda de ter visto um procedimento formal de dupla checagem por parte dos operadores.

Investigação aponta negligência

As investigações apontam que Maria Eduarda foi lançada de uma altura aproximada de 30 metros sem que a corda de segurança estivesse devidamente conectada. Três homens responsáveis pela operação foram presos em flagrante e continuam sendo investigados pelas autoridades.

De acordo com o boletim de ocorrência, o grupo não possuía protocolos adequados de gerenciamento de riscos para a atividade. Uma gravação feita por uma testemunha que aguardava na fila teria registrado o momento em que a vítima foi lançada sem a proteção necessária. A Justiça manteve a prisão dos suspeitos ao considerar que medidas básicas e indispensáveis para a segurança do salto não foram adotadas.

Fiscalização vira alvo de debate

O caso também trouxe à tona discussões sobre a fiscalização das atividades de aventura no país. Especialistas destacam que o Brasil possui dezenas de normas técnicas voltadas à segurança desse tipo de prática, além de legislações específicas que estabelecem responsabilidades para operadores e empresas do setor.

Apesar disso, a falta de fiscalização é apontada como um dos principais problemas. Segundo representantes da área, a ausência de controle favorece a atuação de grupos informais que oferecem atividades de risco sem cumprir exigências legais. No caso de Limeira, as autoridades informaram que os responsáveis não possuíam empresa formalizada nem autorização para operar no local onde os saltos eram realizados.

A repercussão da tragédia também gerou um impasse entre os órgãos públicos. Enquanto a Prefeitura de Limeira anunciou a intenção de processar a União por suposta omissão na fiscalização da área, a Secretaria de Patrimônio da União informou que nunca autorizou atividades esportivas na ponte e que já vinha solicitando medidas para restringir o acesso ao local antes do acidente.

Comentários

Comentários