A possibilidade de Rubens Ometto, controlador da Cosan, ficar de fora do aumento de capital da Raízen já começa a ser tratada como cenário provável por parte dos credores da companhia. O empresário poderia contribuir com R$ 500 milhões dentro de uma operação mais ampla liderada pela Shell, mas a eventual ausência do aporte não deve alterar significativamente o processo de reestruturação financeira da empresa, segundo interlocutores ligados às negociações.
Mesmo diante do impasse, a expectativa no mercado é de que um acordo seja fechado até 9 de junho, prazo considerado decisivo para homologação do plano de recuperação extrajudicial. A avaliação entre os envolvidos é de que uma recuperação judicial ampliaria os riscos para todos os lados, especialmente em meio ao elevado endividamento da companhia, estimado em R$ 65 bilhões.
VEJA MAIS:
- EUA classificam PCC e Comando Vermelho como terroristas
- Veja as 10 melhores hamburguerias de Piracicaba
- Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real.
Pressão dos credores trava negociações
As tratativas entre a Raízen e os detentores de títulos emitidos no exterior seguem avançando lentamente. Os bondholders chegaram a discutir um empréstimo sênior de cerca de R$ 2,5 bilhões, mas as exigências envolvendo custos e garantias foram consideradas excessivas dentro do atual cenário financeiro da empresa.
Outro ponto de atrito envolve a conversão de dívida em ações. Os credores defendem condições diferentes das apresentadas pela companhia, enquanto a Shell tenta estruturar um modelo que permita equilibrar o passivo sem comprometer ainda mais sua exposição financeira ao consolidar os resultados da Raízen em balanço.
Shell amplia espaço e Cosan perde força
A Shell reafirmou apoio à recuperação extrajudicial e sinalizou disposição para injetar R$ 3,5 bilhões na companhia como parte da solução negociada. A petrolífera também indicou que continuará atuando diretamente nas discussões para garantir a continuidade operacional da Raízen no longo prazo.
Nos bastidores, a Cosan já admite uma redução relevante de sua participação acionária na empresa. Em conversa recente com investidores, o CEO Marcelo Martins indicou que o grupo não acompanhará o aporte liderado pela Shell, o que deve provocar forte diluição da fatia da companhia. O executivo também sinalizou que a Cosan não pretende permanecer vinculada a um acordo de acionistas com a Shell e avalia, no futuro, vender a participação remanescente na Raízen.