A gigante do setor sucroenergético Raízen segue no centro de uma intensa crise financeira envolvendo uma dívida estimada em R$ 65 bilhões. Mesmo sob pressão de credores e diante de rumores sobre uma possível saída da presidência do conselho, o empresário Rubens Ometto afirmou que manterá o aporte de R$ 500 milhões prometido à companhia.
O controlador da Cosan declarou que não possui “apego a cargos” e reforçou que o mais importante, neste momento, é garantir que a empresa continue sendo administrada por alguém com profundo conhecimento do setor de energia e biocombustíveis.
Credores pressionam por mudanças
Nos bastidores, investidores e detentores de dívida articulam mudanças no comando do conselho da companhia. A avaliação é de que os credores poderão se tornar os principais acionistas da empresa em uma eventual conversão da dívida em participação societária.
Apesar disso, Ometto negou que a possível saída do cargo colocaria em risco o investimento bilionário já anunciado.
“Estão querendo me demitir, então vou começar a entregar currículo”, brincou o empresário durante participação em um evento empresarial no litoral paulista.
A expectativa é de que uma solução para a reestruturação financeira da companhia seja apresentada nas próximas semanas.
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Aposta bilionária não trouxe retorno esperado
Segundo Ometto, a empresa realizou investimentos pesados nos últimos anos, incluindo a compra da Biosev, operações na Argentina e projetos ligados ao etanol de segunda geração, conhecido como E2G.
No entanto, o empresário reconheceu que parte dessas apostas não entregou o retorno esperado pelo mercado.
O etanol produzido a partir do bagaço da cana-de-açúcar ainda não conseguiu alcançar valorização suficiente para compensar os altos investimentos feitos pela companhia. Mesmo assim, ele afirmou acreditar no potencial da tecnologia no longo prazo.
Shell promete novo aporte
Enquanto tenta reorganizar suas finanças, a Shell, parceira da Cosan na Raízen, também sinalizou apoio financeiro à operação.
Segundo informações divulgadas pelo empresário, a multinacional deve aportar cerca de R$ 3,5 bilhões na companhia para ajudar na recuperação financeira e reduzir os riscos de uma conversão ainda maior das dívidas em ações.
Reestruturação mira recuperação da empresa
A Raízen é considerada uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo e também opera os postos Shell no Brasil. O cenário atual, porém, colocou a empresa sob forte pressão do mercado financeiro.
O grupo tenta agora reorganizar suas operações, reduzir alavancagem e recuperar a confiança de investidores em meio ao processo de renegociação bilionária.