O Vaticano elevou o tom contra a Fraternidade São Pio X e avisou que o grupo ultratradicionalista poderá sofrer excomunhão caso realize a ordenação de novos bispos sem autorização do papa Papa Leão XIV. A advertência foi divulgada nesta quarta-feira (13) e marca a primeira grande crise pública envolvendo o atual pontífice.
A Santa Sé considera a possível cerimônia um ato de cisma, caracterizado pela ruptura formal com a autoridade do papa. O alerta foi emitido pelo escritório doutrinário do Vaticano, liderado pelo cardeal Victor Fernandez.
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Grupo desafia tradição de obediência ao papa
A Fraternidade São Pio X anunciou em fevereiro que pretende ordenar novos bispos em julho mesmo sem o consentimento do Vaticano. Segundo a liderança da organização, a medida seria necessária para ampliar o número de religiosos aptos a conduzir o grupo.
A Igreja Católica, porém, trata a consagração episcopal como uma decisão exclusiva do papa, tradição considerada essencial para preservar a sucessão apostólica iniciada pelos discípulos de Jesus.
Pelas regras da Igreja, tanto o bispo responsável pela cerimônia quanto os religiosos ordenados podem ser automaticamente excomungados caso a consagração aconteça sem autorização oficial.
Missa em latim segue no centro do conflito
Sediada na Suíça, a Fraternidade São Pio X mantém relações turbulentas com o Vaticano desde os anos 1970. O grupo rejeita mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, encontro histórico que modernizou práticas da Igreja Católica e permitiu a celebração de missas em idiomas locais, substituindo a exclusividade do latim.
Os integrantes da fraternidade defendem a preservação da liturgia tradicional e alegam que o rito em latim mantém maior solenidade religiosa. Atualmente, o movimento afirma reunir mais de 700 padres espalhados pelo mundo.
O embate já provocou punições severas no passado. Em 1988, o fundador do grupo, o arcebispo Marcel Lefebvre, foi excomungado após ordenar quatro bispos sem aprovação do então papa Papa João Paulo II. Mais tarde, Papa Bento XVI revogou parte das punições numa tentativa de reaproximação com os religiosos dissidentes.