O governo federal apresentou uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas, o chamado Desenrola 2.0, trazendo mudanças que impactam diretamente consumidores endividados, instituições financeiras e até o uso do FGTS. A principal novidade é a autorização para utilizar parte do fundo para quitar débitos, medida que já provoca discussões sobre seus efeitos no bolso do trabalhador.
Uso do FGTS vira ponto central
Entre os destaques, está a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS — ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor — para abater ou liquidar dívidas. O repasse não passa pelas mãos do beneficiário: o dinheiro segue diretamente para as instituições financeiras, como forma de garantir que seja aplicado exclusivamente na quitação dos débitos.
A expectativa do governo é movimentar cerca de R$ 4,5 bilhões com essa medida, com um limite total de saída de recursos que pode chegar a R$ 8,2 bilhões.
Quem pode participar e quais são as condições
O programa é voltado a brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105), permitindo renegociar dívidas feitas até 31 de janeiro de 2026, desde que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos.
As condições incluem:
- Taxa de juros limitada a 1,99% ao mês
- Prazo de até 48 meses para pagamento
- Primeira parcela com vencimento em até 35 dias
- Limite de até R$ 15 mil por pessoa em cada banco
O foco principal são dívidas comuns, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
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Regras para bancos e contrapartidas
O novo modelo também estabelece exigências para as instituições financeiras. Entre elas:
- Limpar o nome de clientes com dívidas de até R$ 100
- Retirar restrições de crédito após renegociação
- Destinar parte dos recursos à educação financeira
- Impedir uso de crédito para apostas
Já os consumidores que aderirem ao programa terão restrições temporárias em plataformas de apostas por 12 meses.
Estrutura ampliada do programa
Diferente da versão anterior, o Desenrola agora foi dividido em quatro frentes:
- Famílias
- Estudantes com dívidas do Fies
- Empresas
- Produtores rurais
A estratégia amplia o alcance da iniciativa e busca atingir diferentes perfis de endividamento no país.
Impacto e debate econômico
Especialistas apontam que, embora o programa ofereça alívio imediato para quem está no vermelho, o uso do FGTS levanta questionamentos sobre a proteção de longo prazo do trabalhador.
Ainda assim, a proposta reforça o esforço do governo para reduzir a inadimplência e estimular a economia por meio da renegociação de dívidas.
A orientação oficial é que os interessados procurem diretamente os canais dos bancos participantes para verificar condições e formalizar a renegociação.