O debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou novos desdobramentos após o governo federal encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei que altera regras trabalhistas. A proposta foi enviada em regime de urgência na última terça-feira (14) e prevê redução da jornada semanal com manutenção integral dos salários.
O texto estabelece limite de 40 horas semanais, ante as atuais 44, além de jornada diária máxima de 8 horas. A medida também determina que não poderá haver redução salarial, seja nominal ou proporcional, incluindo pisos de categorias profissionais.
Proposta do governo e tramitação no Congresso
Com regime de urgência, o projeto terá prazo de até 45 dias para análise no Congresso Nacional. Segundo o governo, a proposta busca modernizar as relações de trabalho sem reduzir a renda dos trabalhadores.
O tema passa a ocupar posição central na agenda econômica e trabalhista, dividindo opiniões entre governo, trabalhadores e setores produtivos.
Indústria e estudos apontam impacto econômico

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada pode gerar impacto negativo de até R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB), cerca de 0,7% da economia brasileira. A indústria seria o setor mais afetado, com perdas estimadas em R$ 25,4 bilhões.
O estudo também projeta aumento de até R$ 267 bilhões por ano na folha de pagamento das empresas, o que, segundo entidades, pode pressionar custos e afetar a competitividade..
Posição da Acipi

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A Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba) avalia que a proposta exige cautela diante dos possíveis impactos na economia local e na competitividade das empresas.
Segundo a entidade, o aumento de custos trabalhistas pode afetar diretamente a sustentabilidade dos negócios, especialmente em um cenário de margens já pressionadas.
A associação alerta que mudanças dessa magnitude precisam ser amplamente discutidas com todos os setores envolvidos, levando em conta as diferentes realidades econômicas.
“Uma mudança como essa representa aumento nos custos para as empresas e o risco claro de redução de vagas, informalidade ou até fechamento de empresas. Isso não interessa a ninguém, nem aos negócios e muito menos ao trabalhador. Por isso defendemos que qualquer alteração desse porte seja debatida com responsabilidade, para preservar empregos e o equilíbrio econômico”, afirmou a entidade.
Posição da CDL
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) também demonstrou preocupação com a proposta de mudança na jornada de trabalho no modelo 6x1. A entidade reconhece avanços na qualidade de vida dos trabalhadores, mas alerta para impactos no comércio.
Segundo a CDL, o setor pode ser um dos mais afetados pelo aumento de custos operacionais, o que poderia resultar em redução de equipes e estímulo à informalidade.
A entidade também avalia que parte do aumento de custos tende a ser repassado ao consumidor final, pressionando preços no varejo.
Para a CDL, grandes empresas teriam mais facilidade de adaptação, enquanto pequenos negócios seriam os mais prejudicados. A entidade defende que qualquer mudança seja amplamente debatida com todos os setores envolvidos.
“Não somos contra avanços para os trabalhadores, mas acreditamos que eles devem caminhar junto com a preservação dos empregos, o fortalecimento das empresas e o equilíbrio econômico. O que precisamos é de diálogo, bom senso e soluções que beneficiem toda a sociedade”, afirmou.
Posição do Sindicato dos Metalúrgicos

Em posicionamento favorável à redução da jornada e ao fim da escala 6x1, o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Piracicaba e região participou de mobilização nacional em Brasília, durante a Conferência da Classe Trabalhadora (CONCLAT).
Segundo o presidente da entidade, Wagner da Silveira (Juca), a mobilização segue orientação da Federação do Estado de São Paulo, que reúne 54 sindicatos, em apoio à pauta da Força Sindical e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM).
“Estamos em Brasília. O objetivo da manifestação é apoiar a proposta da Força Sindical e da CNTM, que traz em sua pauta o combate ao feminicídio, redução de jornada para 40 horas semanais, ao fim da escala 6 x 1 e a regulamentação do trabalho em aplicativo”, afirmou.
O Jornal de Piracicaba (JP) tentou contato com o Sindicato do Comércio Varejista (SindComércio), mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.
Debate segue no Congresso
Com posições divergentes entre governo, trabalhadores e setor produtivo, o projeto segue em análise no Congresso Nacional. A proposta deve continuar gerando debates nas próximas semanas, envolvendo impactos econômicos, sociais e trabalhistas em todo o país.