“Boreal” é o nome do primeiro porco clonado desenvolvido em Piracicaba, e sua escolha carrega um significado simbólico definido pela equipe do projeto. Caso o animal fosse fêmea, o nome seria “Aurora”, mas como nasceu macho, recebeu o nome “Boreal”, mantendo a referência ao conceito originalmente planejado pelos pesquisadores.
O Jornal de Piracicaba esteve presencialmente na unidade de pesquisa para conhecer de perto o processo de clonagem e acompanhar as etapas do projeto que resultaram no nascimento do animal. A reportagem foi realizada pela repórter Gabriela Lima, que entrevistou a pesquisadora Simone Raymundo de Oliveira, do Instituto de Zootecnia da APTA / Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Biossegurança e cuidados com os animais
Segundo Simone, o acesso à unidade exige protocolos rigorosos de biossegurança. A equipe do Jornal de Piracicaba precisou se adequar às normas de segurança da unidade para realizar a gravação da reportagem, passando por todos os procedimentos exigidos antes de entrar na área de pesquisa.
“As pessoas precisam utilizar roupas específicas e passar por todo um processo de higienização, incluindo banho, antes de entrar na área de pesquisa. Isso é fundamental para garantir a segurança sanitária e o controle do ambiente”, explicou.
Ela também destacou o cuidado com os animais durante todo o processo.
“As porcas receptoras e os filhotes são muito bem tratados, com acompanhamento constante, protocolos de nutrição, ambiência e bem-estar animal em todas as etapas do desenvolvimento”, afirmou.

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Parceria entre instituições de pesquisa
O trabalho é fruto da atuação conjunta da APTA, do Instituto de Zootecnia e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, reunindo pesquisadores, veterinários e especialistas em reprodução animal.
Na unidade de Tanquinho (APTA), atuam de forma fixa dois pesquisadores da Xenobrasil/USP: o médico-veterinário Dr. Fernando Whitehead e a zootecnista Dra. Thamires Santos da Silva.
Todas as atividades são conduzidas de forma integrada, sob a supervisão da médica-veterinária Dra. Ligiane de Oliveira Leme, responsável pela produção dos embriões, em conjunto com os pesquisadores Dr. Ernesto Goulart e Luciano Brito.
Aplicações na medicina e xenotransplante
Simone reforça que o objetivo central do projeto é avançar no desenvolvimento de suínos geneticamente modificados para uso em transplantes de órgãos e tecidos humanos, dentro da área conhecida como xenotransplante.
A expectativa é que essa tecnologia possa, no futuro, reduzir significativamente a fila de transplantes e ampliar as possibilidades terapêuticas para pacientes que aguardam por órgãos.

Avanço científico e possibilidade de rejeição
Segundo Simone, a clonagem em suínos é um marco da biotecnologia por sua complexidade. Ela destaca, no entanto, que a aplicação futura em transplantes ainda enfrenta desafios importantes, principalmente relacionados ao risco de rejeição imunológica.
A estratégia em desenvolvimento busca reduzir essa resposta do organismo, por meio de modificações genéticas que aproximem a compatibilidade dos órgãos suínos ao nível de transplantes humanos.
Perspectivas futuras da pesquisa
A pesquisadora também explica que o trabalho não se limita ao nascimento do primeiro clone. A expectativa é que novas clonagens em suínos sejam realizadas, ampliando o desenvolvimento e a validação da tecnologia.

Além disso, o avanço da técnica pode abrir caminho para a clonagem de outros animais com características fisiológicas mais próximas das humanas, como os bovinos por exemplo, ampliando as possibilidades de pesquisa na área de xenotransplante e medicina regenerativa.