PREÇO NÃO DEVE CAIR

'Ozempic brasileiro' pode demorar a chegar às farmácias; VEJA

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Expectativa de Ozempic mais barato no Brasil pode frustrar consumidores diante de entraves regulatórios e industriais.
Expectativa de Ozempic mais barato no Brasil pode frustrar consumidores diante de entraves regulatórios e industriais.

A patente da semaglutida, substância usada no Ozempic, chega ao fim no Brasil em 20 de março, o que abre espaço para que outras farmacêuticas lancem versões do medicamento no país. Apesar da expectativa de que isso torne o tratamento mais acessível, especialistas do setor avaliam que a mudança não terá impacto imediato no bolso dos consumidores.

A tendência é que os primeiros produtos semelhantes demorem alguns meses para chegar às farmácias, possivelmente apenas no segundo semestre de 2026.

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Produção exige estrutura complexa

Um dos principais obstáculos para o chamado “Ozempic brasileiro” é a complexidade da fabricação das canetas injetáveis usadas nesses tratamentos.

Diferentemente de comprimidos comuns, esses medicamentos precisam ser produzidos em ambientes altamente controlados para garantir esterilidade e estabilidade. Além disso, passam por diversas etapas de testes e precisam ser transportados sob cadeia de refrigeração, o que encarece todo o processo logístico.

A construção de plantas industriais capazes de atender a essas exigências pode demandar investimentos bilionários, o que restringe o número de empresas aptas a produzir o medicamento.

Aprovações regulatórias ainda estão em análise

Outro fator que pode atrasar a chegada das versões nacionais é o processo de autorização sanitária. Atualmente, 14 pedidos de registro de semaglutida estão em análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A expectativa é que a liberação aconteça gradualmente, com até três autorizações por semestre, o que significa que o processo pode se estender por vários anos. Mesmo após a aprovação, os laboratórios ainda precisam organizar produção em escala, distribuição e lançamento comercial, o que pode levar meses.

Descontos devem ser limitados

Outro motivo para a expectativa de queda moderada nos preços é o tipo de medicamento que deve chegar ao mercado.

A maioria das versões nacionais será registrada como medicamento similar, categoria que não exige reduções tão grandes de preço quanto os genéricos. Enquanto os genéricos precisam custar ao menos 35% menos que o produto original, os similares costumam ter desconto mínimo de cerca de 20%.

Hoje, uma caneta de Ozempic pode custar perto de R$ 1.299 na tabela, embora promoções em farmácias reduzam esse valor para cerca de R$ 999 em alguns casos.

Concorrência deve crescer aos poucos

Mesmo com o interesse de diversas farmacêuticas, a competição no início tende a ser limitada. Apenas alguns laboratórios brasileiros possuem infraestrutura para produzir esse tipo de medicamento.

Além disso, muitas empresas pretendem trabalhar em parceria com fabricantes estrangeiros para importar as canetas prontas ou terceirizar parte da produção, o que também envolve custos adicionais.

Paralelamente, a fabricante original do Ozempic planeja ampliar sua produção no Brasil, estratégia que pode manter sua competitividade mesmo após o fim da patente.

Mercado de canetas emagrecedoras segue em expansão

O interesse das farmacêuticas nesse segmento acompanha o crescimento acelerado do mercado de medicamentos para emagrecimento. No Brasil, esse setor movimentou cerca de R$ 12 bilhões em 2025, com expectativa de crescimento contínuo nos próximos anos. Projeções indicam que o faturamento pode chegar a R$ 24,6 bilhões em 2026 e ultrapassar R$ 50 bilhões até 2030.

Com uma população com altos índices de sobrepeso e a popularização desses medicamentos também para fins estéticos, a tendência é que a disputa entre laboratórios se intensifique — mas a redução significativa de preços ainda deve levar tempo para acontecer.

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