O TikTok removeu uma série de vídeos associados à trend conhecida como “treinando caso ela diga não”, após repercussão pública e o início de uma investigação conduzida pela Polícia Federal. A tendência simulava reações violentas de homens diante de uma possível rejeição em pedidos de namoro ou casamento.
Segundo o g1, pelo menos 20 publicações foram retiradas da plataforma depois que links identificados pela reportagem foram encaminhados à empresa. Apesar da exclusão dos conteúdos, os perfis responsáveis pelos vídeos permanecem ativos.
VEJA MAIS:
- Feminicídios crescem 34% e 6 mulheres morrem por dia no Brasil
- VíDEO: Grave acidente mata mulher na SP 127 em Piracicaba
- Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real.
Como funcionava a trend
Nos vídeos que circulavam nas redes, criadores de conteúdo encenavam momentos românticos — como pedidos de namoro ou casamento — e, logo depois, inseriam frases indicando que estavam “treinando” caso a mulher recusasse a proposta.
Em seguida, os autores simulavam reações agressivas, incluindo socos em objetos, movimentos de luta ou até encenações com facas. O formato ganhou visibilidade nas últimas semanas e gerou forte repercussão online, principalmente por ocorrer próximo ao Dia Internacional das Mulheres.
Análises indicam que vídeos desse tipo foram publicados entre 2023 e 2025 por perfis com audiências que variavam de centenas a milhares de seguidores, acumulando mais de 175 mil interações.
Um dos conteúdos que voltou a circular nas redes era do influenciador Yuri Meirelles, conhecido por participar do clipe da música Funk Rave, de Anitta, e do reality A Fazenda. Após a repercussão, o criador apagou a publicação e divulgou um pedido de desculpas nas redes sociais, reconhecendo que o conteúdo foi inadequado.
Investigação e possível responsabilização
A circulação da trend também motivou ações institucionais. A Polícia Federal abriu um procedimento para apurar a divulgação de conteúdos que possam incentivar violência contra mulheres. Durante as diligências iniciais, a corporação solicitou à plataforma a preservação de dados e a remoção do material identificado.
No campo político, a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou um requerimento pedindo que a Procuradoria-Geral da República avalie se as publicações podem configurar crime ou apologia à violência.
Especialistas em direito e tecnologia apontam que trends polêmicas costumam alcançar grande alcance nas redes porque geram engajamento elevado. Na lógica das plataformas digitais, conteúdos que provocam reações intensas — sejam positivas ou negativas — tendem a ser impulsionados pelos algoritmos e se espalham rapidamente.
Esse mecanismo ajuda a explicar por que vídeos desse tipo conseguem ampla circulação, mesmo quando envolvem temas sensíveis ou controversos.
Registros de formatos semelhantes foram encontrados em publicações estrangeiras, principalmente em inglês, indicando que a ideia de encenar reações violentas após rejeições amorosas surgiu fora do país antes de ganhar versões em português e se popularizar no Brasil.