O jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, foi mencionado em relatório da Polícia Federal como possível alvo de uma agressão que teria sido planejada para parecer um assalto. A informação consta em documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, o plano teria sido discutido por integrantes ligados ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, preso preventivamente nesta quarta-feira (4).
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Trajetória consolidada no jornalismo político
Com décadas de atuação na imprensa, Lauro Jardim é conhecido pela cobertura de bastidores da política e da economia. Antes de integrar o time de colunistas de O Globo, passou por veículos de alcance nacional e construiu reputação por divulgar informações exclusivas sobre decisões de governo, mercado financeiro e Judiciário.
Seu trabalho frequentemente envolve investigações e reportagens críticas sobre figuras públicas e grandes grupos empresariais, contexto em que surgem as publicações relacionadas ao Banco Master.
O que apontam as apurações
De acordo com a Polícia Federal, mensagens interceptadas indicam que integrantes de um grupo informal, responsável por monitoramento e coleta de informações, discutiram medidas contra jornalistas considerados críticos. O núcleo seria coordenado por aliados de Vorcaro.
As conversas analisadas pelos investigadores sugerem que a agressão teria como objetivo intimidar o profissional e conter a divulgação de reportagens consideradas prejudiciais aos interesses do grupo financeiro.
Prisão e medidas judiciais
A prisão de Daniel Vorcaro foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, na terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação também resultou no bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões e no afastamento de servidores do Banco Central.
Vorcaro já havia sido detido anteriormente, em novembro do ano passado, quando tentava deixar o país. Na ocasião, foi solto dias depois e passou a utilizar tornozeleira eletrônica.
A citação de um jornalista como possível alvo de violência elevou a gravidade do caso e reacendeu o debate sobre segurança de profissionais da imprensa. Entidades do setor acompanham o desdobramento das investigações, que seguem sob responsabilidade da Polícia Federal e supervisão do STF.