SAÚDE

Comer ovos todo dia faz mal ao coração? VEJA o que diz a ciência

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
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Pesquisas recentes indicam que até dois ovos por dia são seguros para a maioria das pessoas, mas o efeito varia conforme cada caso.
Pesquisas recentes indicam que até dois ovos por dia são seguros para a maioria das pessoas, mas o efeito varia conforme cada caso.

Durante décadas, o ovo foi apontado como vilão das artérias. Hoje, o debate é mais equilibrado. Pesquisas recentes indicam que consumir até dois ovos por dia pode ser seguro para a maioria das pessoas saudáveis, mas a resposta não é igual para todos.

A relação entre ovos, colesterol e risco cardiovascular depende do histórico clínico, dos exames laboratoriais e, principalmente, do padrão alimentar global.

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O que realmente pesa na saúde do coração

Embora a gema concentre colesterol, estudos mostram que, para adultos saudáveis, o colesterol presente nos alimentos tem impacto menor sobre o LDL (o chamado “colesterol ruim”) do que o consumo elevado de gordura saturada. Ou seja: o contexto da dieta importa mais do que o alimento isolado.

Dietas baseadas em alimentos in natura, com baixo consumo de ultraprocessados e controle de gorduras saturadas, tendem a neutralizar eventuais efeitos negativos do consumo moderado de ovos.

Dois ovos por dia: para quem é seguro?

Para pessoas sem histórico de doença cardiovascular, diabetes tipo 2 ou colesterol elevado, o consumo de até dois ovos diários costuma ser considerado aceitável dentro de uma alimentação equilibrada.

No entanto, análises populacionais indicam que o aumento da quantidade pode gerar um discreto crescimento no risco cardiovascular em indivíduos que já apresentam fatores de risco. O impacto absoluto é pequeno, mas existe um efeito dose-resposta observado em grandes estudos: quanto maior o consumo, maior a necessidade de monitoramento.

Em pacientes com:

  • diabetes tipo 2
  • hipercolesterolemia
  • hipertensão
  • doença cardiovascular estabelecida

a recomendação tende a ser mais cautelosa, com ajustes individualizados.

O modo de preparo muda tudo

A forma de preparar o ovo interfere diretamente no perfil nutricional da refeição.

  • Cozido ou pochê: não exige adição de gordura e preserva os nutrientes.
  • Mexido com pouco óleo: alternativa equilibrada.
  • Frito em manteiga ou gordura animal: pode elevar o teor de gordura saturada da refeição.

O problema raramente está no ovo em si, mas no conjunto — como bacon, embutidos e queijos gordurosos que costumam acompanhá-lo.

Ovos ajudam no emagrecimento?

Podem ajudar, dependendo do contexto. O alto teor de proteína contribui para maior saciedade e pode reduzir a ingestão calórica ao longo do dia, especialmente quando consumido no café da manhã. Além disso, auxilia na preservação da massa magra durante dietas hipocalóricas.

Entretanto, incluir vários ovos sem ajustar o restante das refeições pode elevar o consumo total de calorias, favorecendo ganho de peso.

Quem mais se beneficia do consumo?

O ovo é considerado um alimento estratégico em diferentes fases da vida:

  • Crianças: auxilia no desenvolvimento neurológico e crescimento.
  • Idosos: proteína de fácil mastigação, importante na prevenção da perda muscular.
  • Praticantes de atividade física: fornece todos os aminoácidos essenciais para recuperação muscular.
  • Gestantes: fonte relevante de colina, nutriente associado ao desenvolvimento fetal.

Gema: excluir ou não?

A gema concentra vitaminas A, D, E e K, além de colina e antioxidantes como luteína e zeaxantina, relacionados à saúde ocular. Excluí-la sem indicação clínica pode significar perda nutricional desnecessária.

Em pessoas mais sensíveis ao colesterol dietético, alterações nos níveis sanguíneos podem surgir entre três e oito semanas após mudanças na dieta, reforçando a importância do acompanhamento médico.

Existe um número ideal?

Não há fórmula universal. Para grande parte dos adultos saudáveis, um ovo por dia aparece como limite mais conservador nas grandes revisões científicas. Dois ovos podem ser compatíveis com boa saúde cardiovascular, desde que inseridos em um padrão alimentar equilibrado.

O consenso atual é claro: o ovo não é herói nem vilão. A quantidade ideal depende do risco cardiovascular individual, da qualidade da dieta como um todo e do estilo de vida.

No fim das contas, o que define se dois ovos por dia são aliados ou motivo de alerta não é apenas o prato — é o conjunto de hábitos que o acompanha.

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