CARNAVAL 2026

Acadêmicos de Niterói é rebaixada após desfile sobre Lula

Por Da redação |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Foto: Anthony Lung
O presidente Lula (PT) foi o tema central do desfile da escola Acadêmicos de Niterói.
O presidente Lula (PT) foi o tema central do desfile da escola Acadêmicos de Niterói.

A estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Carnaval do Rio terminou de forma amarga. Após a apuração realizada nesta quarta-feira (18), a escola ficou na última colocação e foi rebaixada para a Série Ouro. Ao longo da leitura das notas, a agremiação conquistou apenas duas avaliações máximas.

O resultado ocorre dias depois de um desfile que já havia sido marcado por controvérsias políticas e disputas judiciais antes mesmo de entrar na avenida.

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Problemas na dispersão pesaram na avaliação

Além da repercussão política do enredo, a apresentação foi prejudicada por falhas operacionais. Alegorias ficaram presas na dispersão, atrasando a saída da escola da pista. O encerramento foi marcado por correria e parte do material cênico permaneceu na área após o tempo regulamentar.

A situação gerou reclamação da escola que desfilou na sequência, a Imperatriz, que alegou prejuízo na organização do cronograma.

Enredo sobre Lula dividiu opiniões

Com o tema “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí um recorte biográfico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abordando desde a infância no Nordeste até sua trajetória sindical e chegada à Presidência da República.

A comissão de frente reproduziu elementos simbólicos ligados à posse presidencial, enquanto carros alegóricos trouxeram referências ao agreste pernambucano, ao período de prisão do petista e críticas a adversários políticos.

Personagens que marcaram a política nacional recente também foram representados em alas e encenações, ampliando o caráter narrativo e político da apresentação.

Disputa chegou ao TSE

Antes do desfile, o enredo foi alvo de ao menos dez ações judiciais e representações encaminhadas ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União. As iniciativas buscavam impedir a apresentação ou suspender repasses de recursos públicos, sob a alegação de propaganda eleitoral antecipada.

O caso foi analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que rejeitou pedido de liminar para barrar o desfile. O entendimento foi de que a proibição poderia configurar censura prévia, embora tenha sido sinalizada a possibilidade de avaliação posterior de eventuais irregularidades.

Após a decisão, integrantes do partido do presidente foram orientados a evitar manifestações que pudessem ser interpretadas como campanha fora do período permitido pela legislação eleitoral.

Reações e críticas

Depois da apresentação, o desfile continuou repercutindo no meio político. Parlamentares e lideranças religiosas criticaram uma das alas finais, que trazia alegorias com referências a grupos conservadores e elementos religiosos.

A escola afirmou, em nota pública divulgada na segunda-feira (16), que enfrentou resistência e perseguições durante a preparação para o carnaval em razão do tema escolhido.

Estreia termina com queda

A expectativa era alta para a primeira participação da Acadêmicos de Niterói na elite do carnaval carioca. No entanto, entre notas baixas e contratempos técnicos, o retorno à divisão de acesso foi confirmado já na primeira experiência no Grupo Especial.

O episódio reforça como, na maior vitrine do samba, fatores artísticos, operacionais e políticos podem se cruzar e impactar diretamente o resultado final na avenida.

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