A Raízen, uma das maiores produtoras de etanol e energia renovável do país, enfrenta um período crítico. A empresa teve seu rating rebaixado para grau especulativo pelas agências Fitch e S&P, levantando dúvidas sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros. Com dívidas brutas que somam cerca de R$ 70 bilhões e líquidas de R$ 53,4 bilhões, a companhia busca alternativas para reforçar a liquidez e reorganizar sua estrutura de capital.
Para isso, a Raízen contratou assessores financeiros e jurídicos e iniciou negociações com o banco Rothschild, com o objetivo de explorar medidas como oferta de ações, venda de ativos e eventuais descontos sobre a dívida. Fontes do mercado afirmam que ainda não há decisões definitivas.
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Impasse entre acionistas agrava situação
O cenário se complica devido à divergência entre os acionistas majoritários, Cosan e Shell. A Cosan tem demonstrado menor disposição em injetar capital, enquanto a Shell evita assumir sozinha uma participação superior a 50%, o que poderia comprometer seu balanço. Esse impasse contribuiu para a pressão sobre os investidores, que passaram a se desfazer de títulos da empresa, temendo um déficit próximo de US$ 4 bilhões.
Vendas de ativos e ajustes no fluxo de caixa
Como parte do esforço para reduzir o endividamento, a Raízen vem vendendo ativos considerados não estratégicos, com potencial de gerar até R$ 15 bilhões em recursos. A operação na Argentina é o principal alvo, mas a companhia também avalia desinvestimentos em usinas brasileiras, incluindo unidades em Mato Grosso do Sul. Apesar de as transações não atingirem os valores inicialmente projetados, os recursos obtidos ajudam a equilibrar o caixa e reduzir operações deficitárias.
Além do endividamento, a empresa encara juros elevados e safras abaixo do esperado, que impactam o desempenho financeiro. Projetos inovadores, como o etanol de segunda geração e o combustível de aviação sustentável, ainda não geraram retorno significativo, aumentando a complexidade da situação.