Para muita gente, o café é apenas parte da rotina. Para a ciência, ele pode ter um papel maior. Um estudo de grande porte reacendeu o debate ao indicar que o consumo moderado de café ao longo da vida pode estar associado à redução do risco de demência.
A análise aponta que pessoas que mantiveram o hábito de beber de duas a três xícaras de café por dia apresentaram menos casos da doença quando comparadas àquelas que consumiam pouca ou nenhuma cafeína.
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Décadas de acompanhamento reforçam a associação
O estudo acompanhou 131.821 adultos por até 43 anos, monitorando hábitos alimentares, condições de saúde e estilo de vida. Ao final do período, 11.033 participantes desenvolveram demência.
Os dados mostraram que o risco foi cerca de 20% menor entre quem consumia café com cafeína regularmente. O chá com cafeína também apareceu como aliado, com uma redução aproximada de 15% no risco.
Proteção aparece mesmo entre pessoas mais vulneráveis
A associação entre cafeína e menor risco de demência foi observada inclusive em pessoas com predisposição genética para Alzheimer e outros tipos da doença. O efeito permaneceu mesmo após o controle de fatores como tabagismo, alimentação, escolaridade, índice de massa corporal, doenças prévias e condições socioeconômicas.
Isso indica que o resultado não se limita a um grupo mais saudável ou a um perfil específico de participante.
Existe um ponto ideal de consumo?
Os pesquisadores observaram que o benefício tende a se concentrar na faixa considerada moderada. A partir de cerca de duas a três xícaras de café por dia, o efeito positivo parece se estabilizar, sem ganhos adicionais claros com o aumento da quantidade.
Embora o estudo não tenha identificado prejuízos diretos do consumo mais elevado, especialistas alertam que o excesso de cafeína pode afetar o sono e aumentar a ansiedade — fatores que também influenciam a saúde cerebral.
Menos queixas de memória e raciocínio
Além dos diagnósticos formais de demência, o levantamento analisou relatos de declínio cognitivo subjetivo. Pessoas que consumiam mais cafeína relataram menos episódios de esquecimento ou dificuldade de raciocínio.
Entre mulheres com mais de 70 anos que realizaram testes cognitivos periódicos, o desempenho médio indicou um envelhecimento cerebral mais lento, com diferença estimada de cerca de sete meses.
Por que o café pode ajudar o cérebro?
Entre as hipóteses levantadas estão a presença de compostos bioativos que reduzem a inflamação no cérebro, melhoram o fluxo sanguíneo cerebral e aumentam a sensibilidade à insulina — um fator importante, já que o diabetes está associado a maior risco de demência.
Os resultados não sugerem que quem não consome cafeína deva começar a beber café, mas trazem um sinal positivo para quem já mantém esse hábito de forma equilibrada. Também reforçam a importância de escolhas feitas ao longo da vida adulta, já que a demência se desenvolve de forma lenta e progressiva.