Eles cuidam de mais de 800 gatos no Cemitério da Saudade e pedem ajuda por ração
Um trabalho silencioso, diário e essencial garante alimentação, tratamento e cuidado a mais de 800 gatos que vivem no Cemitério da Saudade, em Piracicaba. A ação é realizada pelo grupo Gatos do Cemitério, formado por voluntários que enfrentam dificuldades constantes para manter o projeto ativo, principalmente para garantir ração suficiente aos animais.
Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, integrantes do projeto explicaram que o cemitério concentra um grande número de gatos, muitos deles abandonados no local. “Nosso trabalho é castrar, tratar e alimentar. Quando aparece um gato doente, filhote, idoso, grávida ou abandonado, nós trazemos para o abrigo, que é a nossa base de suporte”, relataram.
Atualmente, além dos gatos que vivem dentro do cemitério, mais de 90 animais estão abrigados na casa de apoio do projeto, onde recebem tratamento veterinário, alimentação e cuidados diários. Todos os atendimentos médicos, medicamentos e castrações são custeados pelo próprio grupo.
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Falta de ração é o maior desafio
Segundo as voluntárias, o maior desafio hoje é garantir comida suficiente para todos os animais. “Só dentro do cemitério são necessários 35 quilos de ração por dia. A prefeitura fornece 15 quilos, e nós precisamos correr atrás de mais 20 quilos diariamente, além da ração dos gatos do abrigo”, explicaram.
Elas destacam que a ração precisa ser do tipo premium, pois opções mais baratas podem causar problemas de saúde. “A ração inferior força rins, fígado e intestino. O barato sai caro, porque o animal adoece e o gasto com tratamento acaba sendo muito maior”, afirmaram.
Abandono agrava o sofrimento dos animais
Durante a entrevista, as integrantes do projeto fizeram um apelo à população sobre o abandono de gatos no cemitério. Segundo elas, diferente do que muitos pensam, o local não é um ambiente seguro para um animal recém-abandonado.
“O gato não é aceito automaticamente pelos outros. Ele fica perambulando, apanha, se machuca e sofre muito. Já tivemos casos de gatos devolvidos após adoção que precisaram de tratamento antidepressivo”, relataram.
Elas também alertaram sobre pessoas que retiram filhotes do local sem orientação. “Por favor, não peguem os filhotes. Eles estão sendo monitorados. Tirar o recém-nascido da mãe pode levar à morte”, destacaram.
Casos de maus-tratos marcaram a história do projeto
O grupo atua há mais de uma década e já enfrentou situações extremas. Em 2012, os voluntários denunciaram uma série de mortes de gatos no cemitério. “Apareciam dezenas de gatos mortos, filhotes mutilados. Foi uma fase muito triste”, lembraram.
Atualmente, os casos que mais chocam são os de animais com câncer abandonados sem qualquer tipo de tratamento e filhotes retirados das mães ainda em fase de amamentação.
Como ajudar o Gatos do Cemitério
O grupo pede ajuda da população, principalmente com doações de ração premium. Uma das formas de contribuição é a troca solidária: quem doa 10 quilos de ração premium recebe paninhos de prato artesanais, confeccionados para arrecadar recursos. O endereço para doação é na Rua: Coriolano Ferraz do Amarl, 237 no bairro Vila Monteiro. O recomendado é ir depois das 18h.
Também é possível ajudar sendo voluntário, auxiliando na limpeza, alimentação, medicação dos animais, resgates, castrações e na separação de materiais recicláveis, como tampinhas, garrafas PET, lacres e latinhas, que são vendidos para ajudar no custeio dos tratamentos.
“Trabalho não falta. Qualquer ajuda faz diferença”, reforça o grupo.