Uma denúncia silenciosa, feita em poucos segundos, foi decisiva para libertar uma adolescente de 16 anos e a filha, um bebê de apenas 8 meses, mantidas sob vigilância constante em uma propriedade rural de Santa Cecília, no Meio-Oeste de Santa Catarina. O caso veio à tona na manhã de terça-feira (27) e mobilizou forças de segurança e órgãos de proteção à infância.
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Pedido de ajuda rompe o silêncio
De acordo com a Polícia Civil, a jovem conseguiu acessar o celular do companheiro, de 35 anos, durante um momento de descuido e enviou uma mensagem a um oficial de Justiça, relatando que estava impedida de sair de casa e temia ser morta. A partir do alerta, foi iniciada uma ação conjunta entre Polícia Militar, Polícia Civil e Conselho Tutelar.
Abordagem na estrada e prisão
Enquanto as equipes se deslocavam até o endereço indicado, um veículo deixou a propriedade, o que levantou suspeita. Na abordagem, os policiais identificaram o passageiro como o autor das ameaças. Em consulta aos sistemas, foi constatado que havia mandado de prisão ativo contra ele por crimes relacionados à violência doméstica, incluindo ameaça e lesão corporal.
Dentro do carro estavam a adolescente e a criança. Aos agentes, a vítima confirmou que vinha sendo mantida em cárcere privado, sem liberdade de ir e vir.
Relato de dois anos de agressões
Em depoimento inicial, a jovem contou que o relacionamento era marcado por episódios de violência há cerca de dois anos. Mesmo com uma medida protetiva de urgência em vigor, ela teria sido coagida a retomar o convívio sob ameaças contra sua vida e de familiares, além do medo de perder a guarda da filha.
Segundo a Polícia Civil, o retorno forçado à residência configurou descumprimento de ordem judicial, ampliando a lista de crimes imputados ao suspeito, todos no contexto da Lei Maria da Penha.
Flagrante e andamento do caso
O homem recebeu voz de prisão tanto pelo mandado em aberto quanto pelos crimes cometidos em flagrante: cárcere privado, ameaça, violência psicológica e descumprimento de medida protetiva. Ele permaneceu em silêncio durante o registro da ocorrência.
Na Delegacia de Polícia Civil de Curitibanos, foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante. Não houve arbitramento de fiança, e a autoridade policial solicitou a conversão da prisão em preventiva. O suspeito foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
Proteção à vítima e investigação
A adolescente e o bebê foram acolhidos pelo Conselho Tutelar e estão sob os cuidados de familiares. Conforme o delegado Reginaldo Rodrigues dos Santos Júnior, responsável pelo caso, o período exato em que a jovem ficou em cárcere ainda será apurado. “O tempo será detalhado por meio de depoimento especial, procedimento essencial para evitar a revitimização e garantir a fidelidade das informações”, explicou.
A Polícia Civil reforça que situações de violência doméstica podem e devem ser denunciadas pelos canais oficiais, como o telefone 181 ou a Delegacia Virtual de Santa Catarina, mecanismos fundamentais para interromper ciclos de agressão e proteger vítimas.