A aposentadoria de um idoso de 97 anos foi novamente suspensa no Rio de Janeiro após uma falha administrativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Pela quarta vez, Walter Rodrigues de Almeida teve o benefício interrompido devido a uma confusão cadastral com o irmão gêmeo, Waldir, que já faleceu. O caso voltou a gerar indignação em janeiro de 2026 e levanta questionamentos sobre a capacidade do sistema previdenciário de evitar erros repetidos.
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Um problema antigo que nunca foi resolvido
A recorrência chama atenção. Mesmo após correções anteriores, o cadastro de Walter voltou a ser bloqueado, indicando que as falhas não foram eliminadas de forma definitiva. O histórico mostra que o erro deixou de ser pontual e passou a se repetir ao longo dos anos, sempre pelo mesmo motivo: inconsistências nos dados de identificação.
Morador do Rio de Janeiro, Walter Rodrigues de Almeida depende exclusivamente da aposentadoria para se manter. A confusão ocorre porque o sistema do INSS ainda cruza informações com os registros do irmão gêmeo falecido, acionando bloqueios automáticos que suspendem o pagamento sem aviso prévio.
Impacto direto na sobrevivência do idoso
A interrupção do benefício afeta imediatamente a rotina da família. Sem o pagamento, despesas básicas ficam comprometidas, especialmente gastos com medicamentos e cuidados de saúde. Aos 97 anos, Walter não tem outra fonte de renda nem condições de enfrentar longos períodos sem o benefício.
A cada novo bloqueio, os familiares precisam reiniciar o processo de regularização. A filha do aposentado, Elaine Almeida, relata o desgaste emocional e burocrático de ter que comprovar repetidamente que o pai está vivo. O procedimento envolve atendimentos, apresentação de documentos e espera por análises internas, enquanto o pagamento permanece suspenso.
O que diz o INSS
Em nota, o INSS reconheceu o erro administrativo e informou que os valores devidos devem ser pagos em até 20 dias. Apesar do reconhecimento, não foi apresentada uma solução definitiva para impedir novas suspensões, o que mantém a família em constante insegurança.
Órgãos de controle já apontaram problemas estruturais nas bases de dados previdenciárias. O Tribunal de Contas da União identificou milhões de registros com inconsistências, o que aumenta o risco de bloqueios indevidos. Em situações envolvendo irmãos gêmeos, a semelhança de dados torna o sistema ainda mais vulnerável a erros.
O INSS afirma estar ampliando o uso de biometria e revisando protocolos internos para reduzir falhas de identificação. No entanto, especialistas alertam que, sem correções estruturais, medidas pontuais podem não ser suficientes para evitar que casos como o de Walter se repitam.
Um alerta sobre confiança no sistema previdenciário
O episódio evidencia como erros administrativos podem ter consequências graves para quem depende exclusivamente do benefício. Quando o sistema falha, o pagamento para, o idoso fica desassistido e a família assume o ônus de corrigir o erro do próprio Estado. A quarta suspensão transforma o caso em símbolo da fragilidade do controle previdenciário e da necessidade urgente de soluções definitivas.