A chegada de um substituto oral para os populares medicamentos injetáveis para diabetes e emagrecimento parece cada vez mais próxima. Um estudo internacional revelou que o orforglipron, desenvolvido pela mesma fabricante do Ozempic, apresentou resultados expressivos tanto na perda de peso quanto no controle da glicose, levantando a possibilidade de uma mudança significativa no tratamento de pessoas com diabetes tipo 2.
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A pesquisa, publicada na revista The Lancet, acompanhou cerca de 1,6 mil adultos com sobrepeso ou obesidade por aproximadamente 16 meses. Os voluntários foram distribuídos em grupos que receberam doses diferentes do comprimido ou placebo, sempre aliados a orientações de estilo de vida saudável. O estudo ocorreu simultaneamente em 10 países, em mais de cem centros de pesquisa.
Os resultados chamaram atenção pela performance da dose mais alta, que proporcionou redução média de 9,6% do peso corporal, enquanto o grupo placebo perdeu apenas 2,5%. Em parte dos pacientes, a perda ultrapassou a marca de 15% do peso inicial, desempenho que se aproxima do observado com terapias injetáveis já consolidadas no mercado. Todas as doses também demonstraram avanços no controle da glicemia, dado crucial para o manejo da diabetes tipo 2.
O perfil dos participantes — idade média de 57 anos e peso médio de 101 kg — reforça a relevância dos resultados, já que esse público costuma enfrentar mais dificuldades para emagrecer. Os efeitos adversos relatados foram semelhantes aos já conhecidos entre os medicamentos da classe GLP-1, como náusea, constipação, vômitos e diarreia, geralmente descritos como leves ou moderados.
Um dos pontos que mais desperta interesse é a praticidade do comprimido. Ao contrário de drogas injetáveis como a semaglutida, que precisam ser refrigeradas e aplicadas semanalmente, o orforglipron pode ser ingerido como um medicamento tradicional. Sua formulação permite absorção pelo trato digestivo, reduzindo barreiras logísticas e tornando-o especialmente promissor para regiões onde a refrigeração é limitada.
Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores afirmam que ainda são necessários testes comparativos diretos com outros remédios de perda de peso já aprovados. Mesmo assim, especialistas apontam que o novo comprimido pode representar uma alternativa valiosa — mais acessível, simples de usar e com eficácia semelhante às injeções.
A expectativa é que o orforglipron seja encaminhado para análise de agências regulatórias a partir de 2026. A equipe responsável pelo estudo afirma que o custo deve ser inferior ao das versões injetáveis, o que pode ampliar o acesso ao tratamento e favorecer sua incorporação por planos de saúde.