Uma obra de arte entregue pela China ao Brasil durante a COP30, em Belém, desencadeou uma onda de teorias falsas, protestos de grupos religiosos e milhares de interações nas redes sociais. A escultura “Espírito Guardião Dragão-Onça”, apresentada no domingo (16), passou a ser retratada de forma distorcida em publicações que afirmam que o monumento teria ligação com “cultos demoníacos”.
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A peça, criada pela artista chinesa Huang Jian e feita em bronze, combina elementos simbólicos de dois países: o dragão — tradicional na cultura chinesa e associado à prosperidade — e a onça, um dos animais mais representativos da Amazônia. O trabalho integra o legado cultural da conferência do clima e foi desenvolvido após encontros entre a artista, o prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), e a secretária de Cultura e Turismo, Cilene Sabino.
Conteúdos viralizam e inflam reação religiosa
Publicações no TikTok, Facebook e Instagram transformaram a obra em alvo de ataques. Vídeos com alegações de que se tratava de uma “estátua satânica” ultrapassaram 140 mil visualizações no TikTok apenas até a tarde de terça-feira (18). Nos comentários, frases como “Pode devolver!” e “Está repreendido!” se multiplicaram, potencializando a desinformação.
Apesar da repercussão negativa, especialistas e representantes da prefeitura de Belém reforçaram que a escultura não possui qualquer vínculo com crenças espirituais. A obra, segundo eles, dialoga exclusivamente com a preservação ambiental e a cooperação internacional.
Diante das críticas, a gestão municipal reiterou que a escultura é um presente diplomático e não guarda qualquer conotação religiosa. Também reforçou que registros oficiais da COP30 confirmam a natureza cultural da obra.