Com a Câmara de Vereadores de Piracicaba tendo aprovado, na noite desta última segunda-feira (17), com apenas 11 votos o projeto de lei 181/2025, do prefeito Helinho Zanatta (PSD) que burocratiza e multa em até R$ 3.000,00 quem fizer a distribuição de comida aos pobres de Piracicaba, a deputada estadual Professora Bebel (PT) diz que denunciará esta nova legislação ao Ministério Público, pedindo providências. Mais do que isso, a deputada, que faz duras críticas à esta legislação, que considera desumana e criminosa, já deixou claro que não pretende cumpri-la.
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Para Bebel, a Prefeitura de Piracicaba, com esta iniciativa vai na contramão do que está ocorrendo no Brasil. “Enquanto o presidente Lula retira o Brasil do mapa da fome, o prefeito Helinho Zanatta quer punir quem doar alimentos aos pobres, que tem fome. Isso é desumano. Nós, enquanto sociedade não podemos concordar e nos calarmos diante desta atrocidade deste prefeito”, diz a deputada estadual piracicabana.
Ao aprovar esta lei, com menos da metade dos votos dos 23 vereadores que compõem o legislativo piracicabano, uma demonstração de que a maioria dos vereadores, mesmo sendo da base do governo municipal, dá demonstração de que não concorda com esta proposta, Bebel ressalta que a Câmara de Vereadores está outorgando poderes para o prefeito Helinho Zanatta fazer uma atrocidade contra a população mais vulnerável, que precisa da atenção e do apoio tanto do poder público municipal como da população. “Está se outorgando poderes para fazer uma limpeza social, que comparo à megaoperação realizada no início deste mês no Rio de Janeiro. Isso é lamentável e, portanto, não irei cumprir uma lei que não tem cabimento. Denunciarei ao Ministério Público para que esta atrocidade contra os mais desfavorecidos seja impedida em nossa cidade”, declara.
Bebel relembra que o prefeito foi eleito para administrar bem Piracicaba e a sua gente, e não fazer uma limpeza social. "Isso é desumano! A sociedade piracicabana não pode se calar, precisa se levantar contra este absurdo, que também é um ataque à democracia. Se há muitas pessoas necessitadas nas ruas é porque alguém está com muito dinheiro e falta política pública para dar conta desta demanda. Não é fazendo uma limpeza social que se resolve. É desta população invisível que a Prefeitura tem a obrigação de cuidar e bem, conforme chamei a atenção durante a campanha eleitoral do ano passado, quando fui candidata à prefeita. O problema está aí e precisa e deve ser resolvido, e quando isso não ocorre, tempos que denunciar a quem tem o poder de fiscalizar, como é o caso do Ministério Público”, completa Bebel, lembrando que na cidade são pelo menos 30 mil pessoas passando fome e 20 mil mães solo, sendo que muitas têm dificuldades de alimentar seus filhos.