A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta segunda-feira (6) a suspensão imediata de 78 produtos cosméticos irregulares, a maior parte deles voltados para o alisamento de cabelo. A decisão inclui a proibição de fabricação, propaganda, distribuição e uso dos produtos, após constatação de que muitos estavam apenas notificados — quando, por lei, deveriam ser registrados.
Segundo a agência, diversos itens comercializados como “progressivas”, “botox capilar”, “selagens” e “realinhamentos térmicos” não atendiam às exigências da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 906/2024, que impõe registro específico para produtos com ação alisante.
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Riscos à saúde e ingredientes proibidos
Os técnicos da Anvisa alertam que o uso de produtos sem registro pode causar queimaduras no couro cabeludo, queda intensa dos fios e danos irreversíveis à estrutura capilar. A fiscalização identificou o uso indevido de substâncias como formol e ácido glioxílico, ambos proibidos em alisantes, especialmente quando submetidos ao calor de chapinhas ou secadores.
“Essas substâncias provocam reações químicas agressivas que podem comprometer não apenas o cabelo, mas também a pele e as vias respiratórias”, explicou um especialista ouvido pela reportagem.
Marcas envolvidas e produtos afetados
Entre as empresas atingidas pela decisão estão Buran, Tarrare, Luna System, Ledebut, Liberty Hair e Truss (Máscara Selante Blond). Muitos desses cosméticos foram suspensos por apresentarem fórmulas repetidas ou alegações não comprovadas, o que contraria a legislação sanitária vigente.
A Anvisa também bloqueou a comercialização de produtos da Ozonteck, como sabonetes e tônicos “ozonizados”, que alegavam efeitos farmacológicos — algo que não é permitido em cosméticos.
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O que muda com a nova regulamentação
Com base na Instrução Normativa nº 220/2023, a Anvisa reforçou que qualquer produto destinado a alisar ou ondular cabelos precisa ser registrado e comprovadamente seguro, incluindo informações detalhadas sobre a composição química.
Cosméticos apenas “notificados”, procedimento mais simples e reservado a itens de baixo risco, não são mais aceitos para essa categoria. A agência também intensificará as inspeções em salões de beleza e lojas virtuais para identificar e recolher produtos irregulares.
Como se proteger de alisantes falsificados
Especialistas recomendam sempre verificar o número de registro da Anvisa na embalagem antes de comprar um alisante capilar. Também é importante evitar procedimentos caseiros com produtos desconhecidos e buscar profissionais capacitados.
Em caso de irritação, queda de cabelo ou ardência no couro cabeludo após o uso, o ideal é suspender imediatamente o produto e procurar atendimento médico.