NOVA MODALIDADE

Pix parcelado vai disputar com cartões de crédito? Entenda

Por Will Baldine | Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
A expectativa é que a nova modalidade amplie o acesso ao crédito, especialmente entre os cerca de 60 milhões de brasileiros que não utilizam cartão de crédito
A expectativa é que a nova modalidade amplie o acesso ao crédito, especialmente entre os cerca de 60 milhões de brasileiros que não utilizam cartão de crédito

A agência de classificação de risco Fitch Ratings divulgou nesta semana um relatório sobre o impacto esperado da nova funcionalidade do sistema Pix, o parcelamento de pagamentos. Segundo a agência, o recurso poderá aumentar a competição com os cartões de crédito, alterar a dinâmica dos setores bancário e varejista, e acelerar a inovação no sistema financeiro.

Saiba Mais:

O Banco Central deve divulgar em setembro as regras de padronização para o Pix parcelado. A expectativa é que a nova modalidade amplie o acesso ao crédito, especialmente entre os cerca de 60 milhões de brasileiros que não utilizam cartão de crédito. Os dados são da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e do próprio Banco Central.

A nova função permitirá o parcelamento de qualquer tipo de transação via Pix, incluindo transferências. De acordo com o relatório da Fitch, esse avanço representa uma mudança significativa na função do Pix, que passa a atuar não apenas como meio de pagamento instantâneo, mas também como ferramenta de crédito.

A Fitch ressalta que o custo do parcelamento poderá variar entre instituições, com cobrança de juros e IOF. A agência orienta os consumidores a avaliarem os encargos antes de optar pelo parcelamento, já que o valor final pode ser superior ao de outras formas de crédito.

A aceitação e sucesso do Pix parcelado dependerão da capacidade dos bancos, fintechs e operadoras de cartões de adaptarem seus serviços. A concorrência deverá levar ao desenvolvimento de novas soluções tecnológicas, uso mais eficiente de dados para concessão de crédito e revisão das ofertas atualmente disponíveis no mercado.

Os analistas Pedro Carvalho, Claudio Gallina e Laura Kaster, que assinam o relatório, afirmam que o Pix parcelado permitirá a cobrança de juros pelas instituições financeiras, o que não ocorre em modalidades como o parcelamento sem juros com cartão. Com o Pix parcelado, o comerciante recebe o valor integral da compra imediatamente, o que reduz riscos e melhora o fluxo de caixa.

A Fitch aponta que essa mudança pode influenciar o modelo tradicional de vendas com cartão de crédito, que frequentemente envolve atrasos no repasse ao comerciante e taxas de processamento.

Segundo a agência, o avanço do Pix parcelado exigirá adaptação por parte dos emissores de cartões, que precisarão reavaliar suas estratégias para manter a competitividade. Fintechs, por sua vez, podem se beneficiar com a expansão da oferta de crédito a públicos que ainda não são atendidos por bancos tradicionais.

A menor dependência de redes de cartões pode simplificar processos e reduzir custos operacionais para instituições financeiras, afirma a Fitch. O Pix, que hoje já alcança mais de 90% da população bancarizada, segue se consolidando como uma das principais plataformas de pagamento no Brasil.

Comentários

Comentários