Nos últimos meses, as arminhas de bolinhas de gel se tornaram uma verdadeira febre, especialmente entre os jovens. Elas, que ganharam popularidade rapidamente, conquistaram as ruas e espaços de lazer, sendo vistas como uma diversão acessível e inovadora. Com seu design colorido e a possibilidade de criar jogos e competições, as bolinhas de gel se tornaram o passatempo preferido, mas também geraram discussões sobre seus impactos e o uso responsável, especialmente em relação aos riscos à saúde ocular, quando o gel entra em contato com os olhos.
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A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) esclarece que o objeto pode causar lesões graves, inclusive cegueira. "As bolinhas de gel, ao serem disparadas com força, podem perfurar o globo ocular, causando ferimentos internos e levando à perda total ou parcial da visão. Além disso, o impacto pode gerar hematomas, inflamações e até mesmo descolamento de retina", esclarece a entidade, em nota.
De acordo com a Portaria nº 302, de 2021, do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), esses produtos não são classificados como brinquedos. A regulamentação específica que brinquedos são itens destinados ao uso de crianças menores de 14 anos. Portanto, produtos que não se encaixam nessa definição não podem ser vendidos como "brinquedos" nem exibir o Selo de Identificação da Conformidade do Inmetro. "O Inmetro também define requisitos específicos para armas de brinquedo. Réplicas de armas com projéteis de bolas de gel são semelhantes a equipamentos como airsoft e paintball, regulamentados pelo Decreto nº 11.615, de 21 de julho de 2023, o qual não está sob a competência do Inmetro", explica o órgão.
A Polícia Militar esclarece que o produto pode gerar confusão tanto entre os usuários quanto entre as autoridades de segurança. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, devido à semelhança com armas reais, as pistolas de bolinhas de gel podem ser confundidas, não apenas pela população que vive nas regiões onde esse tipo de brincadeira ocorre, mas também pelos policiais durante patrulhamentos ou em situações de emergência. "Esse tipo de brincadeira pode ensejar vários problemas, desde acidente de trânsito, ferimentos e até um mal entendido. Quem vê pode pensar que é um arrastão, por exemplo", explicou o capitão Felipe Neves, do Centro de Comunicação Social da Polícia Militar de São Paulo.