Uma discussão entre a Promotoria de Justiça e o advogado de defesa suspendeu a sessão do Tribunal do Júri em que era julgado o policial militar Leandro Henrique Pereira, na tarde desta quinta-feira (06) no Fórum de Piracicaba. O PM é acusado de duplo homicídio e três tentativas de homicídio porque, no dia 20 de novembro de 2022, em uma festa sertaneja no distrito do Unileste, durante uma briga, efetuou disparos de arma de fogo que provocaram as mortes de Leonardo Victor Cardozo, de 26 anos, e Heloise Magalhães Capatto, de 23 anos.
Outras três pessoas ficaram feridas. O policial fugiu e se apresentou à Polícia dois dias depois do crime e permanece preso desde então. Atualmente, está no presídio Romão Gomes, em São Paulo. A primeira data do júri era em fevereiro deste ano, mas o julgamento foi redesignado para abril e redesignado novamente. Nesta quinta-feira (06), porém, após ouvir vítimas e testemunhas, ocorria a oitiva do assistente técnico da defesa, que apresentou laudo questionando toda a prova pericial produzida no processo. De acordo com o laudo, não é possível afirmar que foi o policial que fez os disparos.
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“A defesa fez todos os questionamentos que entendeu pertinente a esse assistente que a defesa contratou e na hora que foi passada a palavra ao Ministério Público nós começamos a questionar. Uma das primeiras perguntas que eu fiz foi: como chegou a conclusão que não foi o réu que fez os disparos”, disse o promotor de Justiça Aluisio Maciel Neto, lembrando que toda a prova oral demonstrou que o policial militar fez os disparos e, inclusive, o réu admitiu ter atirado contra as vítimas.
Foi nesse momento que a discussão começou. “O senhor está falando uma coisa que ele não falou”, disse o advogado Mauro Ribas, que defende o policial. Então o advogado saiu da tribuna e foi em direção ao promotor. “Falando alto, com dedo em riste, falando impropérios para mim. Eu retorqui esses impropérios, houve discussão e, em seguida começaram a atacar o juiz”, afirmou o promotor.
“Em dado momento, o advogado virou para mim e disse ‘eu resolvo com você da forma que você quiser e onde você quiser’. Pedi para consignar em ata e pra apurar eventual crime de coação no curso do processo”. O Jornal de Piracicaba entrou em contato com o juiz Luiz Antonio Cunha, titular da Vara do Júri e Execuções Criminais, que presidia o julgamento mas ele não se manifestou devido ao cargo que ocupa. A Justiça ainda não definiu nova data para o julgamento.