Muito antes de se consolidar como uma das principais cidades do Vale do Paraíba, Taubaté já desempenhava um papel central na história do Brasil. Entre os séculos 17 e 18, a cidade tornou-se um dos mais importantes centros do bandeirismo paulista, servindo como ponto de partida para expedições que avançaram pelo interior do território, descobriram jazidas de ouro e ajudaram a fundar algumas das mais importantes cidades de Minas Gerais.
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A influência dos sertanistas taubateanos foi tão significativa que historiadores apontam a cidade como uma das principais responsáveis pela ocupação do interior brasileiro durante o período colonial. Foi de Taubaté que partiram homens que mudariam os rumos da economia da colônia portuguesa e impulsionariam o chamado Ciclo do Ouro.
Segundo o livro “Histórias da Pátria Paulista: Cultura, Território e Governos”, do pesquisador Thales Veiga, a vila organizada por Jacques Félix entre 1628 e 1645 transformou-se em um dos maiores polos irradiadores do bandeirismo paulista. A partir dali, expedições seguiram rumo ao sertão em busca de riquezas minerais e novas terras.
Essa reportagem integra o projeto especial Taubaté#400, desenvolvido por OVALE, com apoio institucional da Prefeitura de Taubaté, Unitau (Universidade de Taubaté) e Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis). Veja a apresentação do projeto nesse link.
Jacques Félix: o fundador de Taubaté
Entre os nomes mais importantes da história local está Jacques Félix, considerado o fundador de Taubaté. Capitão-mor da região, ele recebeu sesmarias e liderou o processo de ocupação que resultou na formação da vila.
Seu trabalho foi fundamental para transformar o povoado em um centro estratégico para as bandeiras que avançavam rumo ao interior do continente. A posição geográfica privilegiada da cidade fez com que ela se tornasse um ponto de abastecimento e apoio para os exploradores.
Antônio Rodrigues Arzão e a descoberta do ouro
Se existe um personagem que simboliza a ligação entre Taubaté e Minas Gerais, esse nome é Antônio Rodrigues Arzão.
Pesquisas históricas apontam que ele foi o primeiro bandeirante a encontrar ouro em território mineiro. A descoberta ocorreu por volta de 1693, durante uma expedição originalmente destinada à captura de indígenas.
De acordo com estudos publicados pela Revista Contato e pelo Almanaque Urupês, ambos em Taubaté, Arzão encontrou pequenas quantidades do metal precioso na região que futuramente seria Minas Gerais. Apesar das dificuldades enfrentadas na viagem e dos ataques sofridos durante a expedição, ele conseguiu retornar e compartilhar informações que ajudariam outros sertanistas a localizar as futuras minas.
O historiador, professor e escritor Diego Amaro, que coordenou o curso de História do Centro Unisal de Lorena e presidiu o IEV (Instituto de Estudos Valeparaibanos), destaca a importância desse feito.
“Foi um taubateano, Antônio Rodrigues de Arzão, que encontrou ouro pela primeira vez no Ribeirão das Mortes, em Minas Gerais”, afirma.
A descoberta abriu caminho para uma das maiores transformações econômicas da história colonial brasileira.
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Antônio Dias e a origem de Ouro Preto
Outro taubateano que entrou para a história foi Antônio Dias de Oliveira.
Ele fundou o arraial que levou seu nome e que mais tarde seria incorporado à cidade de Ouro Preto, um dos mais importantes patrimônios históricos do Brasil.
Na época, a região era formada por diversos pequenos núcleos populacionais. Com o crescimento da mineração, os arraiais foram se unindo até formar a cidade que se tornaria símbolo do Ciclo do Ouro.
Hoje, o bairro Antônio Dias permanece como uma das áreas históricas mais conhecidas de Ouro Preto, preservando a memória do bandeirante taubateano.
Tomé Portes Del Rei e a fundação de São João del-Rei
Entre os pioneiros da ocupação das Minas Gerais também se destaca Tomé Portes Del Rei.
Ele fundou um importante sítio comercial que deu origem ao desenvolvimento da região onde surgiria São João del-Rei. Sua atuação foi decisiva para o crescimento econômico local, especialmente no abastecimento das áreas mineradoras.
Tomé acumulou riqueza e influência, mas sua trajetória teve um fim trágico. Registros históricos indicam que ele foi assassinado durante um levante ocorrido no início do século 18.
Mesmo assim, seu legado permanece eternizado no nome de uma das mais importantes cidades históricas mineiras.
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Salvador Fernandes e a primeira cidade de Minas
Outro personagem fundamental foi Salvador Fernandes Furtado de Mendonça.
Em 16 de julho de 1696, ele fundou o arraial do Ribeirão do Carmo, considerado o embrião da atual cidade de Mariana.
O reconhecimento histórico foi tão significativo que Mariana passou a ser considerada a primeira cidade de Minas Gerais. Até hoje, anualmente, o governo estadual realiza a transferência simbólica da capital mineira para o município em homenagem à sua importância histórica.
Heróis ou personagens controversos?
A figura dos bandeirantes continua despertando debates entre historiadores.
Para Diego Amaro, é preciso compreender esses personagens dentro do contexto da época em que viveram.
“Eles eram exploradores que tinham líderes e percorriam o território em busca de indígenas para escravização e de metais preciosos. Agiram de acordo com a moral vigente naquele período”, explica.
Documentos da Coroa Portuguesa revelam que muitos bandeirantes eram vistos com desconfiança pelas autoridades coloniais. Alguns relatos oficiais descrevem os moradores de Taubaté como homens violentos e difíceis de controlar. No entanto, historiadores alertam que esses registros refletem a visão dos administradores portugueses e precisam ser analisados dentro do contexto político da época.
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O legado de Taubaté na formação do Brasil
Apesar das controvérsias, especialistas concordam que a participação dos bandeirantes taubateanos foi decisiva para a expansão territorial do Brasil e para a descoberta das riquezas minerais que impulsionaram a economia colonial.
De Taubaté partiram homens que ajudaram a fundar cidades como Mariana, Ouro Preto e São João del-Rei, além de contribuírem para a ocupação de vastas regiões do interior do país.
Mais de três séculos depois, os nomes de Jacques Félix, Antônio Rodrigues Arzão, Antônio Dias de Oliveira, Tomé Portes Del Rei e Salvador Fernandes Furtado de Mendonça continuam ligados a uma das fases mais importantes da história brasileira, reforçando o protagonismo de Taubaté na construção do território nacional.
* Com informações do Almanaque Urupês