GREVE DOS SERVIDORES

Grevistas terão salário descontado, diz Prefeitura de Taubaté

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo/OVALE
Greve dos servidores da Prefeitura de Taubaté deve começar nessa terça-feira; município divulgou nota em que diz que ‘dias não trabalhados em virtude de greve são objeto de desconto nos vencimentos’
Greve dos servidores da Prefeitura de Taubaté deve começar nessa terça-feira; município divulgou nota em que diz que ‘dias não trabalhados em virtude de greve são objeto de desconto nos vencimentos’

A Prefeitura de Taubaté divulgou uma nota, no início da noite dessa segunda-feira (1º), em que afirmou que irá fazer descontos nos salários dos servidores municipais que aderirem à greve - a paralisação da categoria deve ter início nessa terça-feira (2).

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Na nota, a administração municipal alegou que "os dias não trabalhados em virtude de greve são objeto de desconto nos vencimentos", com base em um entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal), e que "os servidores que não desejarem aderir ao processo poderão atuar normalmente".

A Prefeitura afirmou também que "adotou e vem adotando medidas administrativas para buscar a continuidade dos serviços, especialmente nas áreas essenciais".

Decreto criou Plano Emergencial de Continuidade dos Serviços Públicos

Nessa segunda-feira, foi publicado no diário oficial um decreto do prefeito Sérgio Victor (Novo) que criou o Plano Emergencial de Continuidade dos Serviços Públicos. O ato elenca "medidas administrativas destinadas à garantia da continuidade dos serviços públicos durante movimento paredista de servidores públicos municipais".

Segundo o decreto, "consideram-se serviços essenciais aqueles cuja interrupção possa comprometer a saúde, a segurança, a assistência à população, a proteção de bens públicos ou a continuidade mínima da atividade administrativa". O ato lista serviços como: saúde; limpeza urbana e coleta de resíduos; educação infantil; assistência social; transporte sanitário; defesa civil; e segurança patrimonial e proteção de bens públicos.

De acordo com o decreto, os secretários municipais poderão adotar "as medidas administrativas necessárias à preservação da continuidade dos serviços públicos", como: remanejar temporariamente servidores entre unidades administrativas; reorganizar jornadas de trabalho, escalas e equipes de serviço; e contratar "pessoal por tempo determinado ou eventual".

Ainda segundo o ato, "os dirigentes das unidades administrativas encaminharão diariamente à Secretaria de Administração relatório contendo", entre outras informações, "a identificação dos servidores ausentes em razão da paralisação".

Prefeitura diz enfrentar 'delicada situação fiscal e financeira'

Na nota, a Prefeitura afirmou que "acompanha com responsabilidade o movimento de greve" e que cobra do Sindicato dos Servidores "os documentos necessários para legalidade do processo, incluindo a lista serviços que podem ser afetados".

A administração municipal alegou que fez proposta "de reajuste do vale-alimentação de todos os servidores, de R$ 502,50 para R$ 844,50 a partir de setembro", e que "as divergências atuais" com o sindicato "são econômicas, diante da delicada situação fiscal e financeira do município".

A Prefeitura concluiu que "reafirma seu respeito ao direito constitucional de greve e informa que mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos servidores".

Sindicato pede 9,43% de reajuste salarial

A reportagem questionou o sindicato sobre a nota emitida pela Prefeitura e sobre o decreto, mas a entidade não havia se manifestado até a publicação do texto. O espaço segue aberto.

O início da greve foi aprovado em assembleia realizada na última quinta-feira (28). Os servidores já estavam em estado de greve desde o último dia 15, após duas reuniões entre sindicato e Prefeitura terminarem sem acordo, nos dias 15 e 22. Nessas reuniões, a entidade sindical apresentou uma pauta de reivindicações, mas o município não fez uma contraproposta - o pedido da Prefeitura era de que as negociações fossem suspensas agora e retomadas somente em julho.

A carta de reivindicações do sindicato soma nove itens:

  • reposição inflacionária de 9,43%, que soma 2025 (quando não houve reajuste) e 2026
  • aumento do vale-alimentação de R$ 502,50 para R$ 830
  • criação do auxílio-transporte, no valor de R$ 563,04
  • quitação imediata da licença-prêmio acumulada
  • revisão da contribuição previdenciária de aposentados
  • retorno da base de cálculo anterior dos adicionais de insalubridade e periculosidade
  • vale-alimentação para duplo vínculo
  • aplicação da Lei do Descongela, com quitação de valores que deixaram de ser pagos na pandemia
  • pagamento de horas extras sem limitação

A Prefeitura alega que, "por responsabilidade fiscal e financeira, não consegue atender o pleito em razão da realidade econômica do município", e que "todas essas demandas, somadas, gerariam um impacto de aproximadamente R$ 200 milhões por ano no caixa da Prefeitura, que hoje encontra-se em delicada situação fiscal e com uma dívida aproximada de R$ 1 bilhão".

Já o sindicato afirma que a principal reivindicação da categoria é a revisão da inflação. E que, se esse ponto for atendido, outros itens da proposta podem ficar para futuras negociações.

A data-base do funcionalismo em Taubaté é o mês de maio. Em 2025, no primeiro ano da gestão do prefeito Sérgio Victor, já não houve revisão geral nos vencimentos.

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