PRISÃO PREVENTIVA

Justiça decreta prisão de acusado de matar Thalita, em São José

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Wesley Sousa confessou ter matado a motorista Thalita de Arantes Lima
Wesley Sousa confessou ter matado a motorista Thalita de Arantes Lima

A Justiça decretou a prisão preventiva e aceitou a acusação do Ministério Público contra Wesley Sousa Ribeiro, 31 anos, acusado de matar a companheira e motorista de ônibus Thalita de Arantes Lima, 41 anos, em São José dos Campos. Ele se tornou réu no processo e continuará preso preventivamente.

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Wesley vai responder por feminicídio qualificado e furto. A acusação aponta que ele matou Thalita no contexto de violência doméstica e familiar, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

O juiz Milton de Oliveira Sampaio Neto entendeu que há elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal e converteu a prisão do acusado em preventiva, sem prazo determinado. Ele citou a gravidade do crime e destacou histórico de agressões e ameaças contra a vítima.

“A gravidade concreta do delito emerge de suas circunstâncias, tratando-se de homicídio praticado no âmbito de violência doméstica e familiar contra a mulher, precedido de reiterados episódios de agressão e descumprimento de medidas protetivas”, diz trecho da decisão judicial.

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Episódios de violência

Segundo o magistrado, há registro de episódio anterior em que o acusado agrediu a vítima com tamanha violência que lhe fraturou um dedo. O juiz também citou áudio de Thalita dizendo que Wesley a acordou com uma faca em mãos, afirmando que poderia "fazer uma merda".

“As circunstâncias pessoais do acusado são desfavoráveis, com indicativos de comportamento violento pretérito e uso de substâncias entorpecentes, conforme relatos testemunhais e sua própria confissão”, disse Sampaio Neto.

O juiz ressaltou que há elementos que indicam risco à aplicação da lei. “O investigado deixou o local após os fatos, deslocou-se por diversas cidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, descartou a arma e o celular da vítima e abandonou o automóvel dela em outro estado – condutas que evidenciam clara intenção de furtar-se à responsabilização penal, somente revertida após contato com familiares”.

Na época do crime, lembrou o juiz de São José, havia medidas protetivas de urgência deferidas à vítima em desfavor do acusado pela Vara de Violência Doméstica contra Mulher.

“Pelo exposto, acolho a representação da autoridade policial e o requerimento do Ministério Público e decreto a prisão preventiva do denunciado para preservar a ordem pública, por convir à instrução e como meio de assegurar a aplicação da Lei Penal”, conpletou Sampaio Neto.

O juiz ainda acolheu o requerimento de indenização formulado pelo Ministério Público, no valor de R$ 50 mil, em favor dos sucessores da vítima.

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Relembre o caso

Segundo o relato feito em interrogatório, o crime aconteceu após uma discussão dentro da casa onde a vítima foi encontrada morta, enrolada em um cobertor e com 13 marcas de facadas pelo corpo.

“Foi uma briga no sábado. Ela disse que não queria mais, que era para ele sair de casa e ele perdeu a cabeça”, afirmou o delegado Neimar Camargo Mendes, responsável pela investigação.

Thalita foi encontrada morta na noite de segunda-feira, dia 4 de maio, dentro de uma residência no bairro Majestic, na região leste de São José dos Campos. O corpo estava enrolado em um cobertor, já em avançado estado de decomposição e com marcas de violência.

Segundo a Polícia Civil, o laudo preliminar do IML (Instituto Médico Legal) apontou que a motorista apresentava 13 perfurações provocadas por arma branca.

A brutalidade do crime gerou forte comoção entre familiares, amigos, passageiros e colegas de trabalho da empresa Joseense, onde Thalita atuava como motorista.

Wesley foi preso na noite de terça-feira (5), em Aparecida, no momento em que descia de um ônibus vindo de Resende, no interior do Rio de Janeiro.

Casa precisou ser arrombada

O corpo de Thalita foi localizado após equipes da Polícia Militar entrarem na residência, que estava fechada. Segundo o boletim de ocorrência, os agentes precisaram arrombar uma porta lateral de vidro para acessar o imóvel.

A motorista foi encontrada deitada de lado, coberta por um cobertor, com manchas de sangue ao redor.

Durante a perícia, os policiais identificaram diversas perfurações no corpo da vítima, principalmente na região lateral próxima ao seio, compatíveis com golpes de faca. O estado do corpo indicava que a morte poderia ter ocorrido dias antes da descoberta.

Outro ponto investigado pela polícia foi o desaparecimento do carro de Thalita, localizado posteriormente em Resende (RJ).

Mensagens revelaram medo do ex

Semanas antes de ser assassinada, Thalita já havia relatado medo do ex-companheiro em mensagens enviadas a uma amiga.

Em um dos trechos, ela contou que acordou durante a noite e encontrou Wesley segurando uma faca. “Ele falou para mim assim: ‘Toma, chama a polícia. Fala que eu tentei te matar antes que eu faça uma merda’”, relatou a motorista.

As mensagens revelam que Thalita vivia um relacionamento marcado por ameaças, medo e violência psicológica. Ela também possuía medida protetiva contra o ex-companheiro.

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