CRIME ORGANIZADO

'Cidade Proibida' reúne generais da cúpula secreta do PCC

Por Guilhermo Codazzi | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Editor-chefe de OVALE
Imagem ilustrativa/Gerada com auxílio de IA

Conhecida como “Cidade Proibida”, a cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) abriga os “generais” da facção -- criminosos com a mais alta patente da organização, responsável por movimentar bilhões de reais em drogas, armas e lavagem de dinheiro.

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O termo, apesar de sugerir um local físico, não se refere a uma cidade, mas sim ao grupo que comanda o PCC em nível nacional, com decisões que afetam todas as suas ramificações dentro e fora dos presídios brasileiros.

Criada em 31 de agosto de 1993, dentro do Piranhão, anexo à Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, a facção nasceu em meio à repressão do sistema prisional e se tornou, três décadas depois, uma máquina multinacional do crime, presente em 23 estados e com influência no Paraguai e na Bolívia.

Nesta quinta-feira (28), a administração do presidente Donald Trump anunciou a inclusão do PCC e do CV (Comando Vermelho) na lista de organizações terroristas estrangeiras. O Vale do Paraíba é palco de uma guerra entre as duas facções.

A medida anunciada pela Casa Branca passa a valer em 5 de junho e abre caminho para sanções financeiras, bloqueios internacionais e ações de combate ao crime organizado transnacional ligadas ao narcotráfico.

OVALE revelou o 'Glossário do PCC'

O “Glossário do PCC”, documento sigiloso produzido por um setor de inteligência prisional e obtido com exclusividade por OVALE, descreve a “Cidade Proibida” como a graduação mais alta da hierarquia da facção.

“Atualmente, é composta por alguns dos fundadores clássicos ou tradicionais, na sua maioria recolhidos em penitenciárias de São Paulo e presídios federais”, diz o texto.

Entre os integrantes mais conhecidos está Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o principal líder da facção e referência máxima dentro da estrutura.

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Cidade Proibida é também chamada de 'Chefia-Geral'

A ‘Cidade Proibida’, também chamada internamente de ‘Chefia-Geral’ ou ‘Sintonia Final’, reúne representantes de diversos estados. O grupo analisa tratativas de âmbito nacional, define punições internas e coordena os setores de finanças, armas, drogas, “RH” e até assistência jurídica e familiar.

Cada estado possui ainda sua própria “sintonia”, espécie de diretoria regional responsável por aplicar as ordens da cúpula. No caso do Vale do Paraíba, a área é controlada pela Sintonia 012, segundo o relatório.

Para as forças de segurança, o estrangulamento financeiro do PCC é um dos caminhos mais eficazes no combate à facção. O grupo, que já dominou o tráfico dentro dos presídios, hoje investe em lavagem de dinheiro, apostas ilegais e empresas de fachada. O Ministério Público e a Polícia Federal têm ampliado operações de asfixia econômica.

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