UNESP EM SÃO JOSÉ

‘Nenhuma providência tomada’, diz Carol sobre denúncia de estupro

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Instagram
Estudante Carolina Ferreira no vídeo
Estudante Carolina Ferreira no vídeo

A estudante Carolina Ferreira, 21 anos, que acusa um professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de São José dos Campos de estupro, criticou a universidade em publicação nas redes sociais. Ela disse que “nenhuma providência foi tomada” com relação ao caso.

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“Não adianta de nada vocês ficarem soltando notas, não adianta de nada os professores soltarem notas, que convenhamos parecem que foram copiadas e coladas diretamente da inteligência artificial, sendo que vocês realmente, de fato, não tomam nenhuma providência. Nenhuma providência foi tomada”, disse a jovem em vídeo.

A denúncia do estupro foi feita há duas semanas, por meio de um vídeo nas redes sociais. O caso foi revelado por OVALE e culminou na apresentação de novas denúncias de abuso na Unesp, tendo repercussão nacional.

Segundo Carolina, o crime ocorreu em 2023, quando ela tinha 18 anos. “Eu sou muito mais do que a violência que sofri”, disse ela.

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Afastamento de professores

Em novo vídeo nas redes sociais, ela comentou o afastamento de dois professores promovido pela Unesp, após o caso dela vir a público.

“Foi feito um afastamento dos acusados, mas um afastamento que não é bem um afastamento. Eles estão afastando até deixar a poeira abaixar e depois vai voltar tudo ao normal. Cadê as providências, cadê o processo interno?”, questionou.

“E os professores também não adianta vocês ficarem colocando notas mais preocupados com manchar a reputação da faculdade, do que com o que de fato tá acontecendo.”

“Nós não manchamos a reputação da faculdade, eu não manchei a reputação da faculdade, a Unesp manchou a própria reputação. Nós, alunas, não somos loucas, a gente não tirou isso da nossa cabeça, porque a gente não tinha mais nada o que fazer. Isso são coisas que acontecem há décadas e somente agora está vindo à tona. E eu sinto muito que tenha manchado o nome da instituição. Realmente, em questão de qualidade de ensino, é uma instituição muito renomada, mas deixa muito a desejar em outros aspectos”, disse Carolina.

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Seguindo a lei

Na publicação, a ex-estudante da Unesp de São José diz que não divulgou o nome do professor que ela acusa de a ter estuprado em razão de o caso seguir em segredo de justiça.

“Por que eu não falo quem é? Por que eu não ponho a cara dele aqui? Existe uma coisa que se chama segredo de justiça. O meu processo corre em segredo de justiça. As leis do nosso país não permitem que eu exponha a pessoa, porque nesse momento ele é um acusado. Eu não posso expor ele”, explicou Carolina.

“Então, não é que eu quero protegê-lo. Eu e a minha advogada seguimos as leis que regem o nosso processo. Então, eu não posso, por questões jurídicas, expor ele.”

Ela também negou que o protesto na Unesp em São José, no dia 4 de maio, não teve um viés político. “Nós não estamos associados a partido A, B ou C. Não existe isso. É um protesto com a intenção de mobilizar a atenção, para que os nossos direitos como pessoas, como mulheres, sejam garantidos dentro e fora do campus. Então, não existe nada de esquerda, direita, não existe isso. A gente apenas quer os nossos direitos, aquilo que não é aquilo que nos é garantido por lei”, afirmou a ex-estudante.

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