Em mensagem enviada para uma amiga, semanas antes de ser morta pelo ex-companheiro em São José dos Campos, a motorista de ônibus Thalita de Arantes Lima, 41 anos, disse que estava com medo dele e que "não aguentava mais” o relacionamento.
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Ela contou que foi acordada uma noite com o ex segurando uma faca na mão. “Ele falou para mim assim: ‘Toma, chama a polícia. Fala que eu tentei te matar antes que eu faça uma merda’”, disse ela na mensagem.
As declarações de Thalita revelam que ela passava por um relacionamento abusivo por parte do ex-companheiro, Wesley Souza Ribeiro, que foi preso e confessou ter matado a motorista.
Thalita foi morta brutalmente dentro de uma casa na região leste de São José dos Campos, com 13 facadas, na noite de segunda-feira (5). Antes de ser assassinada, a motorista tinha uma medida protetiva contra o ex-companheiro.
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'Sabe quanto que eu amo ele'
Nas mensagens, ela diz à amiga que amava Wesley, mas que não conseguia mais viver ao lado dele, em razão do comportamento agressivo do namorado.
“Me dói muito. Me dói demais, porque você sabe quanto que eu amo ele. Você sabe disso. Foi o que eu falei para ele: ‘Eu não aguento mais. Eu não tô aguentando mais’”, disse Thalita. ““Como que eu vou ficar com uma pessoa dessas dentro da minha casa, me roubando?”, afirmou.
Ela disse que o ex-companheiro chegava “bêbado e drogado” em casa e por vezes a roubava, além de ameaçá-la. “Passou um dia, ele passou a noite na rua de novo, aí foi onde eu falei para ele: ‘Vai embora’. Liguei para a mãe dele e falei: ‘Eu não tô aguentando mais’”.
Wesley foi preso e confessou crime
O ex-companheiro confessou que matou a mulher em São José dos Campos. A confissão ocorreu nesta quarta-feira (6), durante depoimento a policiais da Delegacia de Homicídios de São José dos Campos, que conduz a investigação. A Justiça também decretou a prisão preventiva dele.
Wesley havia sido preso pela Polícia Civil em Aparecida, após descer de um ônibus vindo de Resende (RJ), na terça-feira (5). De acordo com o delegado responsável pelo caso, ele havia saído do estado do Rio de Janeiro e foi monitorado pelos investigadores.
A prisão foi realizada com base em um mandado por descumprimento da medida protetiva (veja vídeo da prisão). Após a prisão, o suspeito foi apresentado na DDM de São José dos Campos. Paralelamente, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do suspeito pelo crime de feminicídio, pedido acatado pela Justiça.
O delegado Neimar Camargo Mendes, responsável pelo caso, confirmou nesta quarta-feira (6) que Wesley confessou o crime. Ele também confirmou que a Justiça decretou a prisão preventiva de Wesley pelo crime de feminicídio. O suspeito estava preso temporariamente com base no descumprimento de medida protetiva.
Facadas e cena do crime
O laudo preliminar do IML (Instituto Médico Legal) apontou que Thalita apresentava 13 perfurações por arma branca, reforçando a suspeita de feminicídio.
O corpo foi encontrado na noite da última segunda, em uma casa no bairro Majestic, na zona leste de São José. O imóvel estava fechado, e equipes precisaram arrombar a entrada.
Dentro da residência, a vítima foi localizada deitada de lado, enrolada em um cobertor, com vestígios de sangue ao redor. O corpo já apresentava sinais de decomposição, indicando que a morte pode ter ocorrido dias antes.
Outro elemento que chamou a atenção na investigação é o desaparecimento do carro da vítima, que não estava na garagem. Segundo o delegado Neimar Mendes, o veículo foi localizado em Resende (RJ), por policiais civis da cidade fluminense.
Comoção na despedida
O corpo da motorista foi sepultado na terça-feira (5), em São José, sob forte comoção de familiares, amigos e colegas de trabalho.
Thalita era motorista do transporte público e conhecida entre passageiros e colegas pela dedicação e trato com os usuários. Antes, também atuou como cobradora. Em nota, o Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba lamentou o caso e manifestou solidariedade à família.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer a dinâmica do crime. Wesley será ouvido na manhã desta quarta-feira (6).