O leilão de uma área com equipamentos do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Tecelagem Parahyba, na região norte de São José dos Campos, recebeu apenas um lance nesta sexta-feira (17), data marcada para a venda pública.
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A área tem um total de 521 mil metros quadrados e o lance inicial era de R$ 195 milhões. Apenas um candidato a comprador fez oferta de R$ 99,99 milhões pela área, valor que subiu para R$ 109,74 milhões com comissão e outros pagamentos. Mesmo assim, o valor é R$ 85 milhões a menos do lance inicial.
Segundo a casa de leilões Sodré Santoro, responsável pela venda pública, o leilão ocorreu nesta sexta, às 11h, de forma on-line com o leiloeiro no púlpito direto dos estúdios da empresa.
Os lances do leilão foram dados de forma exclusivamente eletrônica, no site do leiloeiro. Os interessados tiveram que se cadastrar no site e oferecer os lances a partir do valor da avaliação do bem.
A empresa informou que o valor ofertado será condicionado à aprovação do vendedor. Isso significa que, dentro de um período de 48 horas após o encerramento do leilão, o vendedor pode aprovar ou não esse lance.
Após esse prazo, caso o lance não seja aceito, pode ocorrer um novo leilão para a venda da área, geralmente num intervalo de 30 dias.
Tecelagem Parahyba
A área à venda inclui a Usina de Leite e a arquibancada da Praça de Esportes que servia à Associação Desportiva da tradicional Tecelagem. Os projetos foram assinados por Reno Levi e Roberto Burle Marx. Ambos os equipamentos foram tombados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em reconhecimento à importância histórico-cultural.
O local tem acesso pela avenida Olivo Gomes e pela rua Paulo Madureira Lebrão, sendo vizinha ao Parque da Cidade e ao rio Paraíba do Sul, em Santana, na região norte de São José.
De acordo com a descrição do leilão, a área possui 82,434 mil m² de área de preservação permanente, além dos equipamentos tombados. Também há restrições de construção que deverão atender às legislações municipais, como o Plano Diretor.
OVALE apurou que a área pertence a Jayme Chede Filho, Luís Fernando de Abreu Sodré Santoro e José Eduardo de Abreu Sodré Santoro.
De acordo com o leiloeiro, os proprietários decidiram vender a área após o falecimento de Jayme Chede, que estava à frente dos projetos pretendidos para a localidade.

Características
A empresa de leilão confirmou que estão tombadas pelo Iphan a arquibancada da Praça de Esportes (clube) e a fachada da Usina de Leite, que impõe ao proprietário a “obrigação de assim conservá-las”.
O leiloeiro informou que isso não impede de o comprador utilizar as estruturas como parte de outros projetos ao redor, preservando-as em razão de sua importância histórico-cultural, integrantes de projetos paisagísticos liderados por Rino Levi e Burle Marx.
A Sodré Santoro explicou que a avaliação do valor da área foi lastreada em "estudo imobiliário desenvolvido por empresa especializada, que levou em consideração o tamanho da área, sua área construída, com piscina, salão, campo de futebol e, sobretudo, sua localização".
“Além disso, também foi relevante para a composição do valor todo contexto histórico envolvido sobre a área, com construções assinadas por profissionais de renome e que, por isso, conferem à área múltiplas opções de aproveitamento e exploração”, disse a empresa.
“O imóvel está sendo leiloado no estado em que se encontra, tanto em termos físicos quanto em termos documentais, cabendo exclusivamente ao comprador se informar antecipadamente sobre tais estados e efetuar seus lances considerando possíveis regularizações posteriores ao leilão”, diz trecho das regras do leilão.
Questionamento
Um grupo de moradores de São José dos Campos solicitou que o Ministério Público apure possíveis irregularidades no leilão da área na cidade.
A representação, feita por integrantes da Fanvap (Frente Ambientalista do Vale do Paraíba) e do Movimento 'O Parque é Nosso', foi encaminhada ao Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente), que é um braço do MP.
Na representação, os moradores citam que o imóvel que será leiloado encontra-se dentro de uma área tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e questionam se o órgão federal foi notificado sobre a intenção de venda.