CASO GISELE

Tenente sugere que Gisele fez marcas no pescoço para incriminá-lo

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que não foi responsável pelas marcas encontradas no pescoço de sua esposa, a policial Gisele Alves Santana, de 32 anos, morta com um tiro na cabeça em fevereiro, na capital paulista.

O tenente-coronel, que é natural de Taubaté e tem residência em São José dos Campos, passou a ser investigado no inquérito que apura a morte da PM.

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Em entrevista à Record, o oficial declarou que não sabe quem teria provocado as lesões e levantou a hipótese de que a própria vítima possa ter feito as marcas antes de morrer.

“Eu não sei quem fez aquelas marcas. Eu garanto que não fui eu. O laudo diz que há marcas de unha. Eu roo unhas, nem unha eu tenho. Será que a própria Gisele não apertou o pescoço com a mão e, já conhecedora dos procedimentos policiais, pensou: ‘vou fazer marcas e depois vou me matar para incriminá-lo’?”, disse.

O oficial também negou qualquer envolvimento na morte da esposa. “Nunca. Jamais. Eu não atiraria nem em um bandido desarmado, muito menos em um ente querido”, afirmou.

Leia mais: 'Trágico suicídio', diz defesa de tenente-coronel

Laudo aponta marcas de dedos no pescoço

Obtido por OVALE, o laudo do IML (Instituto Médico Legal) aponta quatro marcas arredondadas compatíveis com pressão de dedos na lateral do pescoço da policial, além de uma lesão semelhante a marca de unha próxima à região da mandíbula.

O documento integra o inquérito da Polícia Civil de São Paulo que investiga as circunstâncias da morte da PM, ocorrida no dia 18 de fevereiro.

O exame não aponta quem teria causado as lesões, mas registra que elas são compatíveis com pressão manual na região do pescoço. A causa da morte foi definida como traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo.

Inicialmente, o tenente-coronel afirmou que as marcas poderiam ter sido provocadas pela filha de Gisele, de 7 anos.

Tiro atravessou o crânio

Segundo o laudo pericial, o projétil entrou pelo lado direito da cabeça e saiu pelo lado esquerdo, atravessando o crânio e provocando graves lesões cerebrais.

Os peritos também identificaram fraturas extensas na região frontal do crânio, além de sinais de traumatismo, como sangramento pelo nariz e pelo ouvido.

O exame indica ainda que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça da vítima, característica que costuma deixar marcas provocadas pelos gases e resíduos de pólvora.

Filha relatou sofrimento da mãe

A investigação também ganhou novos elementos após depoimento do ex-marido da policial, pai da filha de Gisele.

Segundo o advogado da família, José Miguel Júnior Silva, o homem relatou à polícia que a menina, de 7 anos, disse um dia antes da morte que “a mamãe estava sofrendo muito”.

Reportagem de OVALE revelou que a criança afirmou aos avós que não queria voltar para a casa onde a mãe morava com o padrasto, o tenente-coronel investigado.

Relacionamento é investigado

Depoimentos de familiares e amigos indicam que o relacionamento entre a policial e o oficial era marcado por discussões e episódios de ciúme. Segundo relatos colhidos pela investigação, a vítima já teria mencionado comportamento agressivo e controlador do marido.

A morte da policial foi inicialmente registrada como suicídio, mas passou a ser tratada como morte suspeita após novos depoimentos e análises periciais. O tenente-coronel, que é natural de Taubaté e tem residência em São José dos Campos, é investigado no inquérito que apura o caso.

Cena do apartamento também é questionada

Depoimentos e laudos periciais também levantaram dúvidas sobre a preservação da cena da ocorrência.

Segundo a Polícia Científica de São Paulo, parte da perícia pode ter sido comprometida após alterações no interior do apartamento onde a policial foi encontrada.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que todas as circunstâncias da morte seguem sendo investigadas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar.

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