PM MORTA

‘Mamãe tá sofrendo muito’, disse filha antes da morte de Gisele

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Gisele e o tenente-coronel
Gisele e o tenente-coronel

A morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, ganhou novos elementos na investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.

Em depoimento prestado nesta sexta-feira (13), o ex-marido da vítima afirmou que a filha do casal teria relatado, um dia antes da morte da mãe, que “a mamãe estava sofrendo muito”.

Reportagem de OVALE, com base no inquérito policial, havia revelado que a criança, de 7 anos, afirmou aos avós, na véspera da morte da mãe, que não queria morar com o padrasto, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, oficial da Polícia Militar de São Paulo.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

Segundo o advogado da família, José Miguel Júnior Silva, o homem declarou aos investigadores que Gisele nunca demonstrou intenção de tirar a própria vida. “Nunca passou pela cabeça dela”, afirmou o defensor após a oitiva realizada no 8º Distrito Policial do Belenzinho, na região central da São Paulo.

De acordo com o relato, a menina teria dito que não queria voltar para o apartamento onde a mãe morava, afirmando que “não queria ir para a casa do tio Neto porque a mamãe estava sofrendo muito”.

Morte ocorreu em fevereiro

A policial foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça, dentro do apartamento onde morava com o então marido, o tenente-coronel Neto.

Inicialmente registrada como suicídio, a morte passou a ser tratada como morte suspeita após depoimentos de familiares, amigos e profissionais que atenderam a ocorrência.

O tenente-coronel, que é natural de Taubaté e tem residência em São José dos Campos, passou a ser investigado por suspeitas de perseguição, intimidação e ameaças contra a esposa.

Relatos apontam brigas e conflitos

Depoimentos colhidos no inquérito descrevem um relacionamento marcado por discussões frequentes e comportamento considerado possessivo por familiares.

Segundo a mãe da policial, a filha relatava que o marido era extremamente ciumento e que qualquer situação que o contrariasse resultava em gritos e xingamentos.

A família também afirmou que, após uma discussão no ano passado, o oficial teria enviado um vídeo apontando uma arma para a própria cabeça, afirmando que tiraria a própria vida caso o relacionamento terminasse.

Laudos e depoimentos levantam dúvidas

A investigação ganhou novos desdobramentos após a exumação do corpo da policial e a emissão de um novo laudo do IML (Instituto Médico Legal).

O exame apontou lesões na face e no pescoço da vítima, compatíveis com pressão feita por dedos e arranhões provocados por unhas.

Além disso, o depoimento de um socorrista que atendeu a ocorrência levantou questionamentos sobre a cena encontrada no apartamento. Segundo ele, a arma estava “bem encaixada” na mão da vítima — algo considerado incomum em casos de suicídio.

O profissional também afirmou que o tenente-coronel não apresentava sinais de ter saído do banho, versão apresentada pelo oficial ao relatar que estava no banheiro no momento do disparo.

Cena do apartamento também é investigada

Perícias da Polícia Científica de São Paulo apontaram ainda que a cena do crime pode ter sido alterada, o que teria comprometido parte da análise inicial.

Segundo depoimento de uma funcionária do condomínio, policiais militares entraram no apartamento horas após a ocorrência para realizar a limpeza do local, onde ainda havia sangue.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que todas as circunstâncias da morte seguem sendo investigadas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar.

Outro lado

A defesa do tenente-coronel afirma que ele tem colaborado com as autoridades e que Gisele cometeu suicídio. Já a defesa do desembargador informou que ele esteve no local como amigo e que prestará esclarecimentos à polícia.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria e que tomará as medidas cabíveis caso irregularidades sejam confirmadas.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse que todas as circunstâncias da morte da policial seguem sendo apuradas.

Um novo laudo do Instituto Médico Legal também apontou lesões na face e no pescoço da vítima, compatíveis com pressão de dedos e arranhões provocados por unhas. A Polícia Civil segue reunindo depoimentos e analisando provas no inquérito.

Comentários

Comentários