A CAIXA-PRETA DO PCC

‘Princesinha’ do PCC: rota da cocaína que rende bilhões

Por Guilhermo Codazzi | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Editor-chefe de OVALE
Imagem gerada com auxílio de IA

“Ordem e Progresso”.
Inspirado no positivismo francês e adotado após a Proclamação da República, em 1889, o lema da bandeira brasileira ganha um significado diametralmente invertido no estado paralelo criado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior e mais temida facção criminosa do país.

Na organização, criada no Vale do Paraíba, a ordem aparece na estrutura hierárquica detalhada no novo organograma da facção, revelado por OVALE. Já o "Progresso” é como o PCC refere-se ao tráfico de drogas, a principal fonte de lucro do grupo.

E dentro desse império do crime há uma “Princesinha”: é como o PCC chama a rota da cocaína enviada ao exterior, um negócio que movimenta bilhões de reais.

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Este é o segundo capítulo da série "PCC, a caixa-preta do crime", em que OVALE detalha o novo organograma da facção, que está na mira de Donald Trump e foi definida pela Casa Branca como uma "ameaça significativa à segurança" da América Latina.

O novo documento, obtido com exclusividade por OVALE, expõe as entranhas do PCC, organização criada em Taubaté, em 31 de agosto de 1993, e que hoje expandiu-se por todo o país e já atua em 28 países.

“Se nada for feito, nós nos tornaremos sim um narcoestado”, afirmou o promotor Lincoln Gakiya, jurado de morte pelo PCC, durante audiência na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o Crime Organizado do Senado.

De acordo com o promotor, a facção viu sua receita passar de cerca de R$ 10 milhões anuais, em 2010, para cerca de R$ 10 bilhões anuais.

Leia mais: EXCLUSIVO: 'Caixa-preta' do PCC, o organograma secreto da facção

Progresso é o carro-chefe do crime

O organograma do PCC revela uma estrutura altamente hierarquizada, com setores responsáveis por comando, finanças, expansão territorial e controle do sistema prisional. Ele tem espaço de destaque para o tráfico de drogas, chamado de "Sintonia do Progresso".

Entre as subdivisões estão: "Padaria" (produção); "Progresso externo" (venda para o exterior); "Progresso 100% interno" (venda de droga de alto grau de pureza para o mercado interno)"; "Progresso princesinha" (exportação de cocaína); Progresso FM (pontos de venda de droga/varejo), que tem uma divisão (FM SP e FM Baixada).

Princesinha é a 'joia' do PCC

A Sintonia 'Progresso Princesinha (exportação)' dedica-se exclusivamente à venda de cocaína para o exterior. É a joia da coroa do crime.

De acordo com investigações do MP, a facção priorizou a rentável exportação de droga e passou a dar menor importância ao "varejo", à venda de entorpecentes nas biqueiras. Isso, inclusive, abriu espaço para que o Comando Vermelho ocupasse territórios em cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte.

“A gente vê duas situações de realidade no PCC. O que a gente chama de massa de manobra, que são esses integrantes do PCC que entram nesse ciclo vicioso prisional, e você tem a cúpula, que efetivamente ganha dinheiro com o tráfico internacional", afirmou o  promotor de justiça Alexandre Castilho, membro do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, durante episódio especial do OVALE Cast.

Departamento amplia tentáculos do PCC no exterior

O documento também mostra ramificações fora do Brasil, com menções a países estratégicos para o tráfico internacional de drogas.

Entre eles aparecem Bolívia e Paraguai, rotas importantes para o escoamento de cocaína e outras substâncias ilícitas que abastecem mercados na América do Sul, Europa e África. Essa estrutura internacional reforça a transformação do PCC em uma organização transnacional, com presença em diversos países e capacidade de operar redes logísticas complexas.

João Aparecido Ferraz Neto, mais conhecido como “João Cabeludo”, é um traficante de São José dos Campos que faz parte da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), sendo apontado como chefão do crime no Vale do Paraíba. Ele é um dos criminosos mais procurados do Brasil e também está na lista da Interpol. Especula-se que esteja vivendo na Bolívia (leia mais).

Crime organizado tipo exportação

O organograma conta com uma sintonia específica para "Outros países". "O PCC hoje é essa diversidade. É o tráfico internacional e as lideranças hoje se encontram escondidas na Bolívia. Algumas lideranças ainda estão aqui no Brasil, mas a maioria se encontra escondida na Bolívia”, completou Castilho.

Com exclusividade, OVALE publica a série 'PCC: a caixa-preta do crime' e revela o organograma da facção criminosa, classificada pelo governo Trump como uma "ameaça significativa à segurança" da América do Sul.

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