MERCADO

Ações da Raízen despencam após impasse entre Cosan e Shell; VEJA

Por Da redação |
| Tempo de leitura: 2 min
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Relatos de mercado indicam que a Cosan avaliou não ter condições de acompanhar o volume de recursos proposto pela Shell.
Relatos de mercado indicam que a Cosan avaliou não ter condições de acompanhar o volume de recursos proposto pela Shell.

As ações da Raízen registraram forte desvalorização no mercado nesta semana após o fracasso nas tratativas para um aporte financeiro que buscava reforçar o caixa da companhia. Os papéis da empresa (RAIZ4) encerraram o pregão com queda de cerca de 13%, cotados a R$ 0,60.

Apesar da queda expressiva em termos percentuais, o impacto foi ampliado pelo baixo valor unitário da ação, o que faz pequenas oscilações de centavos gerarem variações mais acentuadas no índice.

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Negociação por capitalização não avança

Segundo informações divulgadas por agências internacionais de notícias, as conversas sobre uma capitalização da empresa não avançaram porque os dois principais acionistas — Cosan e Shell — não chegaram a um entendimento sobre a divisão dos aportes.

A proposta discutida previa um investimento significativo para fortalecer a estrutura financeira da companhia. A Shell teria indicado disposição para aportar cerca de R$ 3,5 bilhões, enquanto a Cosan avaliava um aporte menor. Também havia previsão de participação adicional do empresário Rubens Ometto, presidente da Raízen.

No entanto, divergências sobre o modelo de financiamento e as condições da operação impediram a conclusão do acordo.

Participação acionária e impasse

Cosan e Shell são as controladoras da Raízen e possuem participações semelhantes na empresa, com cerca de 44% cada uma. A divisão equilibrada do controle foi justamente um dos fatores que dificultou a definição de um aporte proporcional.

Relatos de mercado indicam que a Cosan avaliou não ter condições de acompanhar o volume de recursos proposto pela Shell. Outras alternativas apresentadas durante as negociações também não teriam sido aceitas.

Além disso, fundos administrados pelo BTG Pactual, que participaram das discussões, também demonstraram discordância em relação a alguns termos da proposta e optaram por não investir no projeto de capitalização.

Endividamento crescente preocupa investidores

A situação financeira da Raízen tem sido acompanhada com atenção pelo mercado. A empresa acumulou prejuízos recentes e viu sua dívida líquida atingir cerca de R$ 55,3 bilhões ao final de dezembro.

O aumento do endividamento está associado a um conjunto de fatores, como investimentos elevados realizados nos últimos anos e impactos climáticos que prejudicaram a produtividade agrícola. Episódios de incêndios em áreas de cultivo também contribuíram para reduzir a moagem de cana-de-açúcar e afetar os resultados.

Possíveis caminhos para reestruturação

Analistas avaliam que uma solução para o quadro financeiro da companhia deverá envolver uma reestruturação mais ampla, com participação de diferentes agentes financeiros.

Entre as possibilidades discutidas no mercado estão reorganizações societárias, redistribuição de dívidas e novos aportes de capital acompanhados de ajustes operacionais. Essas medidas poderiam ajudar a restabelecer o equilíbrio financeiro e garantir a continuidade das operações da empresa no setor sucroenergético.

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