Campinas também faz parte dessa conquista histórica. O ouro olímpico de Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante masculino não representa apenas um feito inédito para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno — ele carrega as raízes brasileiras do atleta, que tem a mãe natural da região e familiares vivendo no interior paulista.
Aos 25 anos, Braathen tornou-se o primeiro sul-americano a conquistar uma medalha olímpica de inverno ao superar o suíço Marco Odermatt, campeão olímpico em 2022. Ele registrou o tempo combinado de 2:25.00, garantindo o ouro por 0,58 segundos de vantagem.
Identidade brasileira além da neve
Mas por trás do desempenho técnico e da formação europeia no esqui, existe um lado brasileiro que moldou sua identidade. Filho da brasileira Alessandra Pinheiro e do norueguês Bjorn Braathen, Lucas viveu parte da infância no Brasil após o divórcio dos pais quando tinha 3 anos. Depois voltou a Noruega para morar com o pai e se aprofundar no esporte. Mas foi aqui que construiu memórias, laços familiares e uma conexão afetiva que, anos depois, influenciaria sua decisão de representar o país.
“Conheci o esporte nas ruas de São Paulo, brincando com meus vizinhos, minha família, meus amigos. Me apaixonei pelo esporte lá”, disse o atleta em 2024. “Poder completar esse ciclo e representar o Brasil significa muito para mim. Levar a dança para a neve é o que eu busco fazer.”
VER MAIS
- Ouro histórico: Brasil brilha nos Jogos de Inverno
- Morre Marlon Pedroso, grande referência do boxe em Piracicaba
- VIDEO: Velório de Marlon Pedroso é neste sábado em Piracicaba
- Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real.
Campinas celebra o campeão
Campinas acompanha de perto essa trajetória. É na cidade que parte da família celebra o feito histórico e reforça o vínculo do campeão com o Brasil. A conquista não é apenas esportiva — é simbólica. É a afirmação de um atleta formado entre dois mundos, que carrega a disciplina aprendida na Noruega e a identidade construída no Brasil.
Ex-representante da Noruega, país pelo qual venceu cinco provas da Copa do Mundo e subiu 12 vezes ao pódio, Braathen agora escreve um novo capítulo vestindo as cores brasileiras. Ao entrar para a história olímpica, ele se junta a nomes como Isadora Williams, Jaqueline Mourão e Eric Maleson, ampliando a presença do Brasil nos esportes de inverno.
“A Noruega me ensinou a ser um atleta, a enfrentar o frio. O Brasil me ensinou a ser eu mesmo.”
E, dessa vez, o ouro também tem cidadania campineira.