
A restauração da imagem de Nossa Senhora das Dores, do século XVIII, em Pirenópolis (GO), deixou a santa com blush, cílios e expressão suavizada — e muitos fiéis com os nervos à flor da pele. A intervenção foi realizada sem autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que agora cobra explicações da Diocese de Anápolis.
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Antes conhecida pelo semblante de sofrimento, com lágrimas esculpidas e sobrancelhas tristes, a santa agora aparece com traços mais suaves, rosto corado e até aparência de quem acabou de sair do salão. “Está praticamente maquiada. É a mãe de Jesus, não uma influenciadora digital”, criticou a devota Helena Cristina de Pina ao portal G1.
Além do rosto, as mãos também perderam o sombreado original e ficaram mais claras, contrariando a técnica tradicional de policromia usada em imagens sacras. Para o jornalista e devoto Ronaldo Félix, a alteração equivale a trocar o barroco por um "filtro de selfie”, comparou.
O Iphan informou que a mudança não passou por nenhum técnico habilitado e enviou ofício cobrando explicações.
A imagem deve participar da tradicional procissão da Sexta-feira Santa, no próximo dia 18, agora com um novo visual que, segundo os fiéis, não combina com o momento de dor e luto da Paixão de Cristo.
A paróquia responsável ainda não se manifestou sobre o caso.
*Com informações do G1