Na última quarta-feira (25), a Polícia Federal realizou a Operação Fallax na região de Piracicaba, atingindo cidades como Piracicaba, Americana, Limeira e Rio Claro. A ação desarticulou uma quadrilha especializada em fraudes bancárias, estelionato e lavagem de dinheiro.
O esquema envolvia empresas fictícias, uso de nomes de “laranjas” e movimentações financeiras ilegais envolvendo o Banco Master e a Caixa Econômica Federal.
O principal suspeito, Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, morador de Americana, segue foragido. Outros seis investigados também não foram localizados, e a esposa dele tem mandado de prisão em aberto.
Empresas fantasmas e atuação regional
Segundo a Polícia Federal, Thiago Branco criava empresas de fachada utilizadas em Piracicaba e cidades vizinhas para obtenção de crédito fraudulento. Essas estruturas eram repassadas a terceiros, inclusive grupos criminosos, para movimentação e lavagem de dinheiro.
O esquema incluía o uso de nomes de familiares, “laranjas” pagos com valores baixos e até pessoas fictícias criadas apenas no papel.
Mandados e prisões
Durante a operação, foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva. Até o momento, 15 pessoas foram presas, incluindo gerentes de bancos, contadores e laranjas.
Entre os alvos estão Rafael de Gois, CEO do Grupo Fictor, e o ex-sócio Luiz Rubini. A residência do principal suspeito, em um condomínio de alto padrão em Americana, também foi alvo de buscas.
Ações em Limeira
Em Limeira, a Polícia cumpriu mandado de prisão e de busca e apreensão contra um homem de 41 anos na região da Fazenda Itapema. Ele foi localizado em casa e levado à Delegacia da Polícia Federal de Piracicaba.
Durante as buscas, foram apreendidos dois celulares e três máquinas de cartão de crédito. Nenhum material ilícito foi encontrado no imóvel.

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Operação em Rio Claro
Já em Rio Claro, no bairro Jardim América, a Polícia realizou buscas em um imóvel ligado a um investigado por participação na organização criminosa. O suspeito não foi encontrado.
No local, que contava com cercas elétricas e monitoramento por câmeras, foram apreendidos um notebook, um pen drive e munições de calibres .38 e 9mm. Os materiais foram encaminhados à Polícia Federal.
Banco Master e prejuízos
As investigações apontam que parte das operações fraudulentas estava ligada ao Banco Master, além de contratos com a Caixa Econômica Federal e outras instituições.
Cerca de 172 empresas foram utilizadas no esquema, movimentando ao menos R$ 47 milhões em financiamentos irregulares.

Conexão com o Comando Vermelho
A Polícia Federal também identificou que uma célula do Comando Vermelho, com atuação em Piracicaba, utilizava o mesmo modelo de empresas fictícias para lavar dinheiro do tráfico de drogas.
A Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões.
Crimes e penas
Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional.
Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
Defesa e próximos passos
As defesas dos investigados informaram que devem se manifestar após acesso aos autos. Já o principal suspeito segue foragido.
A operação evidencia o impacto de esquemas financeiros ilegais na região de Piracicaba e reforça o combate a organizações criminosas no interior paulista.