O Bloco da Salomé, realizado no último sábado, 31, na região da Rua dos Cravos, em Nova Piracicaba, virou tema de debate após a circulação de uma reportagem que apontou sujeira e problemas na praça depois do evento. Diante da repercussão, organizadores e moradores do entorno se manifestaram, lamentaram a abordagem da publicação e apresentaram o que definem como outro lado da história.
Segundo a organização, o bloco é promovido há dez anos por moradores do bairro, com perfil familiar, horário definido e planejamento prévio. A proposta, de acordo com o grupo, é valorizar a cultura popular e incentivar a ocupação positiva dos espaços públicos.
Organização lamenta reportagem
Integrantes da organização, entre eles Luciene Blumer e Márcio Eduardo Biscalchin, afirmam que a reportagem sobre a situação da praça após o sábado de Carnaval não ouviu previamente os responsáveis pelo bloco. Para o grupo, isso resultou em uma visão parcial do evento e desconsiderou o histórico de atuação do coletivo na região.
Os organizadores reconhecem que, como em qualquer evento de grande porte, em que houveram 3 mil pessoa, há geração de resíduos temporários, mas sustentam que isso não representa abandono do espaço.
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Limpeza e medidas adotadas
De acordo com a comissão, a praça recebeu limpeza e organização antes do bloco, com apoio de moradores. Durante o evento de sábado, houve orientação ao público, disponibilização de sacos de lixo e acompanhamento do descarte.
Após o encerramento, uma empresa contratada pelo bloco realizou a primeira limpeza. No dia seguinte, a manutenção foi complementada pelo poder público, dentro do planejamento municipal para o Carnaval, segundo a moradora Gabriela Gianetti.
Geladeiroteca é comunitária
A organização esclarece que a geladeiroteca com brinquedos instalada na praça é um equipamento comunitário, criado e mantido por moradores. Assim, o eventual uso indevido de brinquedos por frequentadores não seria responsabilidade direta do bloco.
Moradores relatam cuidado com a praça
O professor Revair Bueno de Camargo, morador da Rua dos Cravos há 20 anos, afirma que nunca teve problemas de segurança ou limpeza ligados ao bloco. Ele relata que a concentração acontece em frente à sua casa e que, após a festa, a rua costuma amanhecer organizada.
Segundo Revair Bueno de Camargo, a participação no bloco é voluntária e motivada pelo apreço à cultura do samba e ao bairro. Ele destaca que moradores participam ativamente e ajudam a cuidar do espaço público.
A vizinha Tikka Meszarios também associa a conservação da praça ao uso coletivo. Ela conta que famílias da região se mobilizaram para pintar bancos, propor intervenções artísticas e instalar a geladeira comunitária com brinquedos. Para ela, encontros e eventos ajudam a aproximar vizinhos e fortalecer o cuidado com o local.

Carnaval familiar e comunitário
Os organizadores definem o Bloco da Salomé como um Carnaval de família, conduzido por moradores da própria rua e realizado dentro de horário estabelecido. O objetivo, segundo o grupo, é equilibrar festa, convivência e responsabilidade.
O bloco também movimenta a economia local, gerando renda para bares, restaurantes e serviços, além de contratar músicos e profissionais da cultura.
Há ainda uma frente solidária: há oito anos o grupo promove arrecadação de leite para entidades sociais. Nesta edição, as doações foram destinadas à PASCA – Pastoral do Serviço da Caridade.

Diálogo aberto
A organização afirma que segue aberta a críticas construtivas e ao diálogo com a comunidade e o poder público. O compromisso, segundo o bloco, é aprimorar continuamente o evento.
Para os integrantes, o legado buscado é de alegria, pertencimento e impacto cultural, social e econômico positivo para Piracicaba.