A investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, ganhou novos elementos após a defesa da família apresentar registros anteriores contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, companheiro da vítima e suspeito no caso.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Segundo documentos apresentados nesta semana, o oficial já foi denunciado por ex-companheiras e até por colegas de farda por comportamentos como ameaça, perseguição e assédio moral.
O tenente-coronel, que é natural de Taubaté e tem residência em São José dos Campos, nega qualquer participação na morte da esposa.
Um dos principais registros é um boletim de ocorrência de 2009, feito por uma ex-esposa do militar em Taubaté. No documento, ela relata que era vigiada e impedida de se relacionar com outras pessoas. Ainda de acordo com o BO, o tenente-coronel teria feito ameaças de morte.
Segundo o relato da ex-esposa, o oficial “mantém vigilância sobre a vítima impedindo que esta se relacione com outra pessoa, ameaçando, inclusive, de morte”.
Leia mais: Caso Gisele: Justiça envia caso de PM morta à vara de feminicídio
Histórico de ameaças
No ano seguinte, em 2010, a mesma mulher voltou a procurar a polícia, afirmando que o oficial continuava perturbando seu sossego.
Outro episódio citado pela defesa ocorreu em 2022, quando uma mulher afirmou ter sido ameaçada pelo militar dentro do próprio apartamento.
Além disso, o histórico inclui uma condenação judicial por assédio moral contra uma policial militar subordinada. O caso ocorreu em 2024, e em 2025 o Estado foi condenado a pagar R$ 5 mil por danos morais à vítima.
De acordo com o advogado da família de Gisele, Miguel Silva, os registros apontam um padrão de comportamento. “Há um histórico de perseguição e assédio que precisa ser considerado na investigação”, afirmou.
Morte suspeita
Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça, dentro do apartamento onde vivia com o tenente-coronel, na capital paulista.
Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência passou a ser investigada como morte suspeita após novos depoimentos e análises periciais.
O próprio oficial estava no local no momento da morte, acionou o socorro e relatou o caso como suicídio. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o inquérito segue em andamento e a tipificação pode ser alterada conforme o avanço das investigações.
“A Polícia Civil já colheu depoimentos e aguarda laudos complementares. O caso é investigado sob sigilo, com acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar”, informou a pasta.
Depoimentos levantam dúvidas
O caso ganhou repercussão após relatos de familiares e novas provas colocarem em dúvida a versão inicial. O ex-marido da vítima afirmou à polícia que a filha do casal, de 7 anos, disse um dia antes da morte que “a mamãe estava sofrendo muito”.
A criança também teria demonstrado resistência em voltar para o apartamento onde Gisele vivia com o tenente-coronel.
Segundo a defesa da família, a policial nunca apresentou sinais de que pretendia tirar a própria vida.
Laudos e cena sob análise
A investigação também se baseia em novos laudos do Instituto Médico Legal (IML), que apontaram lesões na face e no pescoço da vítima, compatíveis com pressão de dedos e arranhões.
Outro ponto que chama atenção é o depoimento de um socorrista que atendeu a ocorrência. Ele afirmou que a arma estava “bem encaixada” na mão da vítima, o que não é comum em casos de suicídio.
Além disso, perícias indicam que a cena do apartamento pode ter sido alterada, o que pode ter comprometido parte da análise inicial.
Outro lado
A defesa do tenente-coronel afirma que ele colabora com as investigações e sustenta que a morte foi um suicídio.
A Polícia Militar informou que acompanha o caso por meio da Corregedoria e que adotará medidas caso irregularidades sejam confirmadas.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.