A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, na tarde desta sexta-feira, 20, em Frutal (MG), o empresário de Franca, Elvis Vilhena Faleiros, de 40 anos, investigado por ter causado um prejuízo estimado em R$ 50 milhões a produtores de café. A ação faz parte da Operação Grão Fantasma, que apura o desaparecimento de sacas armazenadas em cooperativa no Sul de Minas.
Segundo a Polícia Civil, Élvis estava foragido e teve a prisão preventiva cumprida após diligências que levaram à sua localização. Ele é investigado pelos crimes de apropriação indébita, gestão temerária de cooperativa e associação criminosa.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Ibiraci (MG), onde ficam os galpões da Cocapil (Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci). A prisão foi realizada pela Polícia Militar em Frutal. O empresário foi encaminhado ao sistema prisional e permanece à disposição da Justiça. Ele passará por audiência de custódia e ficará na cadeia da cidade.
Desaparecimento de café e prejuízo milionário
De acordo com a Polícia Civil, o esvaziamento do armazém da cooperativa ocorreu no fim de dezembro do ano passado, gerando prejuízo estimado em R$ 50 milhões para 179 vítimas. A cooperativa possui cerca de 621 cooperados ativos.
A Justiça de Minas Gerais decretou a prisão do empresário após pedido da Polícia Civil. Faleiros é acusado de ter permitido operações que teriam provocado forte desequilíbrio financeiro na cooperativa e de utilizar café do estoque — inclusive de produtores — para cobrir compromissos da organização. Os autos citam suspeitas de fraude e gestão temerária, o que motivou a ordem de prisão preventiva.
Além dele, também são investigados diretores da cooperativa. Bens dos envolvidos foram bloqueados por determinação judicial. Segundo trecho da decisão, “o valor dos bens indevidamente apropriados chega à cifra de R$ 50 milhões”.
Relatos de produtores
Conforme os autos, os primeiros relatos de prejuízos surgiram quando cooperados tentaram retirar as sacas depositadas e foram informados de que o produto havia sido utilizado para cobrir operações financeiras da cooperativa.
Uma produtora relatou a perda de 342 sacas, avaliadas em R$ 803,7 mil. Outro cooperado afirmou ter perdido 35 sacas, estimadas em R$ 80,5 mil. Somados, esses dois casos ultrapassam R$ 880 mil, valor parcial entre os prejuízos já relatados.
A investigação ainda apura o número exato de sacas desaparecidas e o total consolidado dos danos, que, segundo estimativas, pode ultrapassar R$ 50 milhões.
Movimentações empresariais sob análise
A Justiça também analisa a movimentação societária do empresário nos últimos anos. Ele já teria atuado em empresas dos setores de bares, administração de imóveis, holding e consultoria.
Uma das decisões aponta que empresas com nomes semelhantes teriam sido abertas e fechadas em curto intervalo de tempo, o que levantou suspeita de possível tentativa de blindagem patrimonial. O Judiciário determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens para evitar a dissipação de patrimônio e garantir eventual ressarcimento às vítimas.
O que diz a defesa?
De acordo com o advogado Marcio Cunha, por meio de nota, a defesa tomou conhecimento do cumprimento da prisão por volta do meio-dia desta sexta-feira. Ainda segundo o advogado, Elvis já firmou diversos acordos formalizados com produtores e cooperados da Cocapil e estaria adotando “atos concretos” para quitar integralmente os débitos pendentes, garantindo que nenhum produtor ficará no prejuízo.
A defesa também informou que já entrou em contato com o delegado de Polícia Civil de Ibiraci, Estevan Ferreira Pauliquevis, que deverá designar data para o interrogatório. Após os procedimentos na delegacia, será realizada audiência de custódia no Fórum de Frutal, ocasião em que a legalidade da prisão será analisada pelo Judiciário.
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