O empresário de Franca Elvis Vilhena Faleiros, réu na Justiça de Minas Gerais por suspeita de envolvimento em um rombo milionário na Cocapil (Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci-MG), construiu, ao longo dos anos, um histórico empresarial diversificado, com atuação em diferentes ramos, que vai desde o setor de bares e serviços até participações societárias e administração de cooperativa agrícola.
O primeiro registro empresarial em nome de Elvis data de 2006, quando ele ingressou como sócio-administrador da empresa Elvis Vilhena Faleiros Bar & Choperia Ltda, fundada em 4 de dezembro daquele ano. A empresa tinha como atividade principal a exploração de bares e outros estabelecimentos especializados no serviço de bebidas, marcando o início de sua atuação formal como empresário.
Em 26 de maio de 2009, Elvis passou a ocupar uma posição de maior destaque ao ingressar como presidente da Cocapil (Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci Ltda.), entidade fundada em 2001 e voltada ao comércio atacadista de café em grão. A cooperativa, que reúne centenas de produtores, tornou-se o principal eixo de sua atuação profissional e, anos depois, o centro das investigações que apuram o desaparecimento de sacas de café e prejuízos milionários a cooperados.
Mais de uma década depois, em 13 de dezembro de 2021, Elvis ingressou como sócio da Eldorado Administração e Participações Ltda., empresa voltada à administração e aluguel de imóveis próprios. A criação e a composição societária dessa empresa passaram a ser citadas em decisões judiciais como parte da análise sobre a movimentação patrimonial do empresário, especialmente no contexto das investigações envolvendo a Cocapil.
Já em 6 de novembro de 2024, consta sua entrada como sócio-administrador da Helu Holding Participações e Investimentos Ltda., empresa classificada como holding de instituições não financeiras. A constituição dessa empresa ocorre em um período em que, segundo a Justiça, já havia sinais de deterioração econômica da cooperativa, o que levou o Judiciário a examinar com atenção a reorganização societária do empresário.
O registro mais recente é de 25 de setembro de 2025, quando Elvis ingressa como sócio-administrador da Consultoria Vilhena Ltda., empresa voltada a serviços combinados de escritório e apoio administrativo. A abertura da consultoria ocorre às vésperas do agravamento público da crise da Cocapil.
Empresas com nomes semelhantes entram na análise da Justiça
No curso do inquérito, a Justiça mineira passou a analisar a movimentação societária envolvendo empresas com nomes semelhantes ligadas ao investigado Elvis Vilhena Faleiros. A decisão judicial destaca a existência de duas pessoas jurídicas distintas, apesar da similaridade na denominação empresarial, o que chamou a atenção dos investigadores.
Segundo os autos, a empresa Eldorado Administração e Participações Ltda., da qual Elvis figurava como sócio, teve sua baixa decretada, encerrando formalmente suas atividades. Apenas 14 dias após essa baixa, foi constituída a empresa Eldoradoagro Participações Ltda., com CNPJ diferente e composição societária formada por familiares do investigado, sem a participação direta de Elvis.
A Justiça ressalta que, embora os nomes sejam parecidos, tratam-se de empresas distintas, com registros próprios. Ainda assim, a proximidade temporal entre o encerramento de uma e a criação da outra é apontada no inquérito como um indício relevante de possível estratégia de blindagem patrimonial. Para o juízo, a exclusão de Elvis do quadro societário da nova empresa, em um momento em que a cooperativa já enfrentava grave deterioração financeira, pode indicar uma tentativa de proteger bens de eventual bloqueio judicial.
Esse contexto fundamentou o entendimento de que havia risco concreto de dissipação patrimonial, justificando o pedido de medidas cautelares, como sequestro, arresto e indisponibilidade de bens. A decisão afirma que a demora na prestação jurisdicional poderia tornar inócuas essas medidas, comprometendo uma futura reparação dos danos causados aos produtores rurais.
O magistrado destacou que tais providências estão amparadas no Código de Processo Penal e têm como objetivo preservar o patrimônio dos investigados, seja de origem lícita ou ilícita, para assegurar eventual ressarcimento às vítimas, caso haja condenação.
Investigação sobre a Cocapil
Elvis Vilhena Faleiros é alvo de um processo judicial que investiga o desaparecimento de café depositado por cooperados. Atualmente, a Cocapil enfrenta um rombo financeiro estimado em cerca de R$ 100 milhões, conforme informações apresentadas em assembleias e reconhecidas pela própria defesa do presidente. Desse total, as investigações apontam que aproximadamente R$ 50 milhões correspondem a sacas de café que teriam desaparecido dos armazéns da cooperativa, segundo levantamento da Polícia Civil citado no processo judicial. O número exato de sacas e o prejuízo total ainda estão sendo apurados, já que o inquérito segue em andamento.
Diante dos indícios reunidos, a Justiça de Minas Gerais decretou a prisão preventiva de Faleiros, presidente da cooperativa, sob o entendimento de que há risco concreto à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei penal. A decisão judicial aponta, entre outros fatores, a gravidade da fraude investigada, o grande número de produtores prejudicados e a possibilidade de ocultação de bens e destruição de provas.
Após a decretação da prisão, a defesa de Elvis ingressou com pedido de habeas corpus, que aguarda análise pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Os advogados sustentam que a prisão é desnecessária e afirmam que o presidente vinha colaborando com as investigações e buscando alternativas para o pagamento dos débitos da cooperativa. Até o momento, não há decisão sobre o pedido.
Paralelamente, a Justiça determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens como medida cautelar, com o objetivo de evitar a dissipação do patrimônio e garantir uma eventual reparação dos danos causados aos produtores. A decisão cita indícios de manobras societárias e reorganizações empresariais que poderiam dificultar o ressarcimento das vítimas, razão pela qual o Judiciário considerou necessária a adoção das medidas assecuratórias.
Enquanto isso, os cooperados seguem cobrando esclarecimentos e aguardam definição sobre o futuro da cooperativa. Uma nova assembleia foi convocada para deliberar sobre um plano de pagamento, mas produtores e representantes apontam insegurança quanto às garantias apresentadas. O caso continua sob investigação criminal e também pode gerar desdobramentos nas esferas cível e administrativa.
Leia mais: Empresário de Franca tem prisão decretada após sumiço de café
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Comentários
9 Comentários
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Sebastião 10/01/2026Esse jogo do tigrinho está acabando com a cabeça das pessoas -
Juarez 09/01/2026Aposto que é bolsonarista -
Darsio 09/01/2026A corrupção é uma das marcas desse pais, seja no setor público ou no privado. E, diante desse caso, já é fácil projetar o desfecho final, ou seja, não haverá punição e muito menos ressarcimento aos que foram roubados. Isso porque a justiça não possui nada de imparcialidade, pois nossas leis sempre foram interpretadas e usadas para proteger aqueles com maior poder econômico. E, como não se revoltar quando você tem de pegar todo o seu décimo terceiro e férias para pagar os pesados tributos como IPTU e o IPVA. Mas, o mais revoltante é saber que esse dinheiro não lhe retorta, pois na maior parte é usado para bancar as mordomias, privilégios, belos salários e a corrupção da nossa classe política. E o pior de tudo é ter de aturar as desculpas esfarrapadas, como as do pastor e deputado Sóstenes Cavalcanti, que nos roubou numa só tacada 473 mil reais e, o filha da puta ainda dizia que não se lembrava que tinha guardado esse dinheirão no seu armário e, na maior cara de pau, esse vagabundo se julga um temente a deus, defensor da moralidade e combatente da corrupção. Isso mesmo! Estamos colocando as raposas para vigiar o galinheiro e, na maior ingenuidade acreditamos que estamos protegendo nossas galinhas. Portanto, concluo dizendo que se fôssemos um país de sóbrios e não de pessoas embriadas de ignorância, o combate a corrupção seria a prioridade nesse país -
Danilo 09/01/2026Se for constatado culpado, já digo de antemão que não foi o primeiro na região, e que como os outros NÃO VAI DAR NADA PRA ELE… Nossa justiça é fraca e falha -
APARECIDO DONIZETE NUNES 08/01/2026Passarinho que dorme com Morcego,acorda com cabeça pra baixo.???????????????????????????????????????????????? -
Kali 08/01/2026Vou explicar aqui para os interessados! Em 2009, o jovem Elvis, de apenas 25 anos de idade, após ser empresário dono de bares na cidade de Ibiraci, assume a presidência da Cocapil. Quanta competência para isso! Nem terceiro grau ele possui? Obviamente, Cocapil nunca foi cooperativa, sempre foi empresa da sua família. Simplesmente, assumiu como herdeiro um negócio de família. Em 12/2021 seu pai cria uma Holding (Eldorado Administração e Participações LTDA), onde divide seu patrimônio com os filhos). Elvis consta como sócio da Holding. Em 01/2024 a Eldorado Administração e Participações LTDA é extinta. Alguns dias depois é criada a Eldoradoagro Participações LTDA, exatamente com o mesmo patrimônio (as mesmas fazendas) da Holding antiga, que havia sido extinta alguns dias atrás. Um detalhe, Elvis não consta mais como sócio da mesma Holding. A própria defesa diz que o rombo começou no ano de 2018. Época que não só Elvis, mas toda a família, tendo seus cunhados como diretores, estavam na gestão da Cocapil. Ora, de forma premeditada e inescrupulosa, deixaram o Elvis como bode espiatorio, excluíram-o do quadro societário da Holding com patrimônio milionário, ou bilionário, e deixaram o “coitadinho” explodir, roubando o café de centenas de “coitadinhos” de verdade! Isso é sério, muita gente trabalhadora, de sol a sol, está passando por dificuldades nesse momento. Para piorar a situação, contrataram advogados inescrupulosos, que através de tentativas de assembléias forjadas, tentam legitimar uma cooperativa que nunca foi cooperativa, como cooperativa de verdade. O motivo? Além do café roubado dos produtores, a cooperativa possui mais de 70 milhões em dívidas com bancos. E, como cooperativa não tem dono, a dívida é de quem, dos cooperados! Os mesmos coitadinhos que tiveram seu café roubado, ainda correm o risco de pagarem por uma dívida que não lhes pertence. -
Sergio 08/01/2026Playboy mauricinho que gosta de ostentar, cara-de-pau golpista. Não vai ficar preso nem um mês, guardou dinheiro pra comprar a liberdade. -
Elcio 08/01/2026Picareta estelionatario almofadinha que sempre viveu no bem bom. Escondeu o que desviou em nome de comparsas e cúmplices e sabe que agora é só amargar uns tempos de cadeia pra poeira baixar e repartir com o advogado um tanto que ganhou pra comprar a liberdade e depois sumir do mapa pra gastar o produto das picaretagens. Fosse a Cida Doida da vila Sta. Teresinha que furtasse um litro de óleo ficaria presa um ano, esse não ficará nem quatro meses se for generoso com o advogado e as tais chamadas custas do processo dos recursos. -
Abreu 08/01/2026Desde jovem esse playboy disfarçava bem fazendo-se passar por empresário dedicado, só andava em altas rodas, andava só em veículos de luxo, mas só entrava em picaretagens com fachadas de empresas de sucesso. E só de saber quem o defende já ilustra bem que o golpe que foi dado é que ainda quer fazer-se de vítima, só que ele soube esconder muito bem os milhões desviados das suas falcatruas que agora estão em nomes de parentes e cúmplices. Ou seja, vai dar em nada. Ah...antigamente, nos tempos do fio de bigode, não tinha essa coisas, sabem porque?, é.....é por isso mesmo.....