A cidade de Jundiaí, que gera 12 mil toneladas de lixo por mês, tem capacidade de produzir Combustível Derivado de Resíduos (CDR) e gerar renda a partir dos resíduos sólidos. Essa notícia foi dada na última sexta-feira (13), durante o evento realizado pelo Fórum Regional de Comércio, Indústria e Serviços de Jundiaí e Região (Forcis): "Lixo: Oportunidades e Desafios", que aconteceu na Associação dos Engenheiros de Jundiaí.
O debate técnico sobre o assunto reuniu o secretário executivo de Mudanças Climáticas de São Paulo, José Renato Nalini; o gerente da Agência Ambiental da Cetesb de Jundiaí, Domenico Tremaroli; o diretor da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), Antônio Januzzi; o ex-promotor do Meio Ambiente de Jundiaí, Claudemir Bataglini; o representante da Associação Brasileira das Empresas de Consultoria e Engenharia Ambiental, José Mateus Bichara; a representante da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Tallita Veiga; e o diretor do Departamento de Limpeza Pública de Jundiaí, José Maria de Oliveira Jr. O debate foi intermediado pelo advogado Gustavo Ungaro.
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O vice-prefeito de Jundiaí, Ricardo Benassi, apresentou a história dos resíduos de Jundiaí e como foi a evolução desde meados de 1980, quando Jundiaí ainda operava com um lixão. “Os anos passaram e a cidade avançou, mas hoje precisa avançar mais ainda. Eu acredito que podemos ter grandes oportunidades com nosso resíduo, financeiros, quero dizer. E isso pode se transformar em ações, em saúde, educação e infraestrutura”, ressaltou.
Hoje, a cidade de Jundiaí opera com uma licitação cujo valor ultrapassa R$ 125 milhões e está perto do fim. “Por isso é tão importante a discussão com especialistas e sociedade, para que possamos oferecer um serviço melhor e mais moderno”, resume Benassi.
Legislação
O Estado de SP, através da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), deve lançar uma nova versão do Plano Estadual de Resíduos Sólidos até o final deste ano. A legislação federal determina que o plano seja atualizado a cada quatro anos, com horizonte de planejamento de 20 anos. Cabe à comissão criada para este objetivo integrar as secretarias estaduais envolvidas e alinhar as ações para que as diretrizes saiam do papel e sejam efetivamente implementadas.
A expectativa é que a nova versão do Plano Estadual de Resíduos Sólidos seja disponibilizada para consulta pública e realização de audiências públicas ainda no primeiro semestre de 2026, após apresentação no Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). O próximo encontro da comissão está previsto para o dia 15 de abril. “Esse encontro é riquíssimo e estamos à disposição para contribuir enquanto Estado para que Jundiaí avance cada vez mais”, comentou Talita.
Os números do Estado de São Paulo impressionam: são cerca de 42 mil toneladas de resíduos por dia. Apenas 78 cidades com mais de 100 mil habitantes concentram aproximadamente 80% de todo o volume de Resíduos Sólidos Urbanos produzido no Estado. A ideia do Estado também é transformar o lixo em energia renovável, gerar oportunidades e mais ainda: melhorar consideravelmente o meio ambiente.