A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou uma série de medidas sanitárias que impactam clínicas, farmácias, hospitais e distribuidoras em todo o país. Entre as decisões estão a proibição do chamado “chip hormonal”, a apreensão de lote falsificado do Mounjaro e o recolhimento de medicamentos com suspeita de irregularidades.
As determinações foram publicadas no Diário Oficial da União e reforçam o alerta sobre a circulação de produtos sem registro ou adulterados no mercado brasileiro.
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Chip hormonal é vetado em todo o país
A agência proibiu a manipulação, comercialização e uso de implantes com o hormônio nesterona — conhecidos popularmente como “chips hormonais”. Segundo o órgão regulador, não há avaliação conclusiva de segurança e eficácia para esse tipo de aplicação.
A decisão determina o recolhimento imediato dos estoques e atinge farmácias de manipulação e estabelecimentos que ofereciam o procedimento.
Lote falsificado do Mounjaro é apreendido
Um lote do Mounjaro, medicamento indicado para diabetes tipo 2 e amplamente utilizado no tratamento da obesidade, foi identificado como falsificado. O lote D838838 apresentava falhas visuais na embalagem, como impressão borrada e divergências na data de validade.
A comercialização, distribuição e uso do produto foram proibidos, e as unidades localizadas passaram por apreensão.
Botox e medicamento oncológico também entram na lista
A fiscalização alcançou ainda o Botox, que teve lote considerado irregular após divergências nas datas de fabricação e validade encontradas em frascos no mercado.
No campo oncológico, o Enhertu, indicado para tratamento de câncer, teve unidades suspeitas de falsificação, com alterações no tamanho do frasco e na tampa metálica. A medida resultou em apreensão e proibição de venda.
Outro medicamento de alto custo, o Opdivo, utilizado em imunoterapia contra diversos tipos de câncer, teve dois lotes classificados como possivelmente adulterados.
Anabolizantes e tirzepatida sem registro
A operação também resultou na apreensão de anabolizantes e hormônios comercializados sem autorização sanitária. Entre as substâncias estão boldenona, oxandrolona, testosterona, anastrozol e oximetolona.
Um lote de tirzepatida 15 mg, sem identificação de fabricante regular e sem registro na Anvisa, foi igualmente retirado do mercado.
Produtos “naturais” e fórmulas irregulares
A agência proibiu ainda a venda de produtos divulgados como alternativas “naturais” a medicamentos conhecidos, incluindo versões chamadas de “Ozempic natural” e suplementos fitoterápicos sem registro.
Farmácias de manipulação foram alvo de medidas após a comercialização de fórmulas padronizadas sem prescrição individualizada, prática vedada pelas normas sanitárias.
Recolhimentos por falhas de qualidade
Além das falsificações, houve recolhimentos por problemas na qualidade de fabricação. Um lote de furosemida injetável foi retirado após a identificação de partícula de vidro em ampola.
Também foi realizado recolhimento voluntário de maleato de enalapril após a constatação de manchas nos comprimidos, apesar de não haver confirmação de risco imediato aos pacientes.
Lotes de água para injetáveis e solução fisiológica foram interditados cautelarmente por suspeita de contaminação.
Orientação à população
A Anvisa orienta pacientes e profissionais de saúde a verificarem número de lote, integridade da embalagem e procedência dos medicamentos antes do uso. Produtos com indícios de irregularidade não devem ser utilizados e devem ser comunicados às autoridades sanitárias.
As ações reforçam a preocupação com o aumento da oferta de medicamentos falsificados, hormônios sem comprovação científica e produtos comercializados sem autorização no Brasil.
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