Uma expedição científica realizada na Mata Atlântica fluminense revelou uma nova e intrigante espécie de fungo parasita, popularmente chamada de “fungo zumbi”. O organismo foi identificado em uma reserva natural de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e já ganhou destaque internacional ao ser incluído entre as dez descobertas botânicas e micológicas mais relevantes de 2025, segundo o tradicional ranking do Kew Gardens, de Londres.
Batizado de Purpureocillium atlanticum, o fungo recebeu esse nome em referência à coloração arroxeada e ao bioma onde foi encontrado. A espécie se mostrou altamente especializada: ela infecta aranhas de alçapão, artrópodes que vivem enterrados no solo da floresta e constroem armadilhas camufladas para capturar presas.
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Um achado no chão da floresta
O novo fungo foi localizado a partir da observação de pequenas estruturas que emergiam do solo da mata. Essas formações, responsáveis pela liberação de esporos, indicaram a presença de um organismo parasitando um animal subterrâneo. Ao escavar cuidadosamente o local, os pesquisadores constataram que o hospedeiro era uma aranha já morta, totalmente colonizada pelo fungo.
Após a infecção, o microrganismo se espalha internamente pelo corpo do animal, utilizando seus nutrientes até levá-lo à morte. Em seguida, desenvolve estruturas externas que permitem a dispersão dos esporos no ambiente, garantindo a continuidade do ciclo biológico.
Tecnologia acelerando descobertas
Um dos diferenciais do estudo foi o uso de sequenciamento genético portátil em campo, o que permitiu analisar o DNA do fungo ainda fresco. Essa abordagem trouxe mais precisão à identificação e revelou que o novo organismo faz parte de um grupo mais complexo do que se imaginava anteriormente.
Espécies antes reunidas sob um mesmo nome científico apresentaram diferenças genéticas significativas, indicando que o que se pensava ser uma única espécie é, na verdade, um conjunto de fungos distintos. O Purpureocillium atlanticum surge, assim, como um representante único desse grupo.
Parentesco com os famosos “fungos zumbi”
Embora o termo “fungo zumbi” tenha se popularizado por produções de entretenimento, ele é usado informalmente para descrever fungos capazes de parasitar e manipular o comportamento de outros organismos. O novo fungo brasileiro pertence à mesma família de espécies conhecidas por infectar insetos, como formigas, mas apresenta um comportamento diferente.
Enquanto alguns parentes levam seus hospedeiros a locais elevados para facilitar a dispersão dos esporos, essa nova espécie atua no subsolo, mantendo seu ciclo de vida ligado ao ambiente enterrado das aranhas de alçapão.
Sem risco para humanos e com alto potencial científico
Apesar do nome chamativo, não há qualquer indício de que o fungo represente risco para seres humanos ou outros animais além de seu hospedeiro específico. Ainda assim, a descoberta é considerada estratégica para a ciência.
Estimativas indicam que existam cerca de 2,5 milhões de espécies de fungos no planeta, das quais apenas uma pequena parcela foi descrita. Esse universo pouco explorado pode esconder compostos com aplicações importantes, inclusive na medicina, como novos antibióticos e substâncias bioativas.
Biodiversidade ainda pouco conhecida
A descoberta reforça a importância da preservação da Mata Atlântica e do investimento em pesquisa científica. Além de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira, estudos como esse mostram que ambientes naturais ainda guardam espécies desconhecidas, com potencial impacto para a ciência, a saúde e a sustentabilidade.
Com o avanço das tecnologias e o crescente interesse de novos pesquisadores, o mundo dos fungos começa a ganhar o espaço que merece na ciência contemporânea.
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