O Senado Federal terá uma composição majoritariamente alinhada à direita a partir de 2027. O resultado do primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4), definiu os ocupantes de 54 das 81 cadeiras da Casa. Segundo levantamento do Poder360, 33 dos senadores eleitos são classificados como mais à direita, 19 à esquerda e dois ao centro.
As 54 vagas correspondem a dois terços do Senado, já que a Casa é renovada de forma alternada a cada quatro anos. Os parlamentares eleitos terão mandato de oito anos, com início em 1º de fevereiro de 2027 e término em 31 de janeiro de 2035.
Para entender como ficará o Senado, também é necessário considerar os 27 parlamentares eleitos em 2022, que não tiveram seus mandatos colocados em disputa neste ano e permanecem na Casa até 2031.
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Direita terá 49 senadores
Entre os 27 senadores que permanecem no cargo, 16 são classificados como de direita, oito de esquerda e três de centro, de acordo com o levantamento do Poder360.
Com a soma dos parlamentares que permanecem com mandato e dos eleitos em 2026, a projeção para 2027 é de:
49 senadores de direita
27 senadores de esquerda
5 senadores de centro
PL terá a maior bancada
O PL será o partido com a maior bancada no Senado a partir de 2027. A legenda elegeu 19 senadores no primeiro turno, número recorde para um partido em uma única eleição desde a Constituição de 1988.
Os novos eleitos se somarão aos nove senadores do PL que já possuem mandato até 2031. Com isso, a legenda deverá chegar a 28 parlamentares.
Na sequência aparecem PT, com nove senadores, e MDB, com oito, conforme a projeção para o início da próxima legislatura.
Renovação será de 74% das vagas disputadas
A eleição também provocou uma forte renovação na Casa. Das 54 cadeiras que estavam em disputa, 40 serão ocupadas por novos senadores, enquanto 14 foram conquistadas por parlamentares que conseguiram a reeleição.
Dos 32 senadores que tentaram permanecer no cargo por mais oito anos, apenas 14 conseguiram a reeleição. A taxa de renovação das vagas disputadas chega a aproximadamente 74%.
Entre os senadores reeleitos estão Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Portinho (PL-RJ), Cid Gomes (PSB-CE), Eduardo Braga (MDB-AM), Eduardo Gomes (PL-TO), Humberto Costa (PT-PE), Jaques Wagner (PT-BA), Lucas Barreto (PSD-AP), Marcelo Castro (MDB-PI), Marcio Bittar (PL-AC), Plínio Valério (PSDB-AM), Rogério Carvalho (PT-SE), Styvenson Valentim (Podemos-RN) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).
Direita não terá votos suficientes sozinha para impeachment no STF
Apesar de formar a maioria da Casa, os 49 senadores classificados como de direita não seriam suficientes, sozinhos, para aprovar um processo de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Para uma condenação em julgamento de impeachment, são necessários 54 votos, o equivalente a dois terços dos 81 senadores.
Já para aprovar matérias por maioria absoluta são necessários 41 votos. No caso de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são exigidos 49 votos, correspondentes a três quintos da composição do Senado, em dois turnos de votação.
Composição ainda pode sofrer alterações
A composição projetada para 2027 ainda pode passar por mudanças. Isso porque alguns senadores que possuem mandato até 2031 disputaram outros cargos nas eleições deste ano.
Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR) foram eleitos governadores no primeiro turno e deixarão o Senado. Já Alan Rick (Republicanos-AC), Omar Aziz (PSD-AM) e Professora Dorinha Seabra (União-TO) avançaram para o segundo turno das disputas pelos governos estaduais.
O segundo turno das eleições está marcado para 25 de outubro. Os resultados poderão alterar a composição partidária do Senado por causa da substituição de parlamentares que deixarem seus mandatos para assumir outros cargos.
Maior bancada do PL desde 1988

Além de eleger 19 senadores em 2026, o PL terá a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988, caso a projeção atual se confirme.
A legenda também conseguiu eleger os dois senadores de cinco unidades da Federação: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.
A nova composição também terá a maior bancada feminina da história do Senado. Doze mulheres foram eleitas em 2026, e a Casa deverá começar 2027 com 18 senadoras.
A nova legislatura começa em 1º de fevereiro de 2027, quando os 54 senadores eleitos neste ano se juntarão aos 27 parlamentares que já possuem mandato até 2031.